Acordo de paz entre Irã e EUA inclui reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias

Cessar-fogo de 60 dias cobre todas as frentes, incluindo o Líbano; cerimônia oficial de assinatura está marcada para 19 de junho na Suíça

Por Redação TMC | Atualizado em
Estreito de Ormuz
(Foto: REUTERS/Stringer)

Estados Unidos e Irã selaram um acordo de paz neste domingo (14/06), com previsão de cessar-fogo imediato e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, em até 30 dias. A cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para 19 de junho, na Suíça.

O cessar-fogo terá duração de 60 dias e abrange todas as frentes de conflito. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou em publicação na rede social X que “ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à TV estatal iraniana que o cessar-fogo entraria em vigor na noite deste domingo.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a remoção imediata do bloqueio naval: “Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.

O Estreito de Ormuz é o principal corredor de exportação de petróleo do Oriente Médio, e seu fechamento afeta diretamente os preços de combustíveis e o abastecimento global de energia. Durante o conflito, os EUA bombardearam sistemas de defesa e radares iranianos na região de Ormuz. Um helicóptero militar norte-americano também caiu durante sobrevoo na área, conforme relatou Trump.

A CNN Internacional, com base em fontes do regime iraniano, e a Reuters, em contato com o governo norte-americano, divulgaram os principais tópicos do memorando. Entre eles, estão o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções dos EUA contra o Irã. A imprensa estatal iraniana, pela agência Mehr, também confirmou esses pontos.

Em contrapartida, o Irã, pela imprensa estatal e pela agência Mehr, afirmou que não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, havia declarado no sábado (13/06): “Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã”.

Na última quinta-feira (11), Trump cancelou a terceira noite de ataques após o que descreveu como consenso sobre os pontos finais. Ele afirmou que o memorando havia sido aprovado por líderes iranianos, incluindo o líder supremo, versão negada pelo Irã via agência Fars. Trump também chegou a chamar os dirigentes iranianos de “pessoas muito desonrosas para se negociar”, escrevendo em sua rede Truth Social. Horas depois, no entanto, repostou mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã afirmando que um acordo “nunca esteve tão perto”. Trump também afirmou que “no momento apropriado e quando tudo estiver calmo”, os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo, e que espera “trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro”.

A agência IRNA, estatal iraniana, também confirmou o acordo de paz. O primeiro-ministro do Paquistão agradeceu aos dois países pelo compromisso durante as negociações. “Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura”, publicou.

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