Fed mantém juros pela 5ª vez seguida sob novo presidente

Comitê votou 12 a 0 para manter a taxa entre 3,50% e 3,75%; inflação segue acima da meta de 2% e Fed projeta alta de 0,25 ponto até fim de 2026

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(Foto: REUTERS/Brendan McDermid)

Kevin Warsh presidiu sua primeira reunião do Federal Reserve (Fed) e o resultado foi o mesmo de quatro encontros anteriores: juros americanos sem alteração. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votou por unanimidade, 12 a 0, para manter a taxa básica dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme anunciado em 17 de junho de 2026.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Fed para controlar a inflação. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o consumo cai e os preços tendem a recuar. Quando cai, o efeito é o oposto.

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Inflação ainda fora da meta

O Fomc justificou a manutenção dos juros pela persistência da inflação acima da meta de 2%. Em comunicado, o comitê apontou que a alta nos preços da energia, associada ao conflito no Oriente Médio, contribuiu para pressionar os índices: “A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo em parte choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em determinados setores, incluindo energia”. A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,2%.

Dois indicadores reforçam o quadro de pressão inflacionária. O núcleo do CPI (Índice de Preços ao Consumidor, que exclui alimentos e energia) está em 2,9%. Já o núcleo do PCE (índice de gastos pessoais, preferido pelo Fed) permanece em torno de 3,3%, ambos acima do alvo de 2%.

Para o brasileiro, isso importa de forma direta: juros elevados nos EUA fortalecem o dólar e reduzem o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, o que pressiona o câmbio e pode encarecer produtos importados no país.

Mercado de trabalho e crescimento

Apesar da inflação persistente, a economia americana mostra sinais de estabilidade. O mercado de trabalho gerou 172 mil vagas em maio, segundo dados recentes. A taxa de desemprego permanece em 4,3%, e os salários avançam cerca de 3,4% ao ano.

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo que o país produz, cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, conforme os mesmos dados. O Fomc avaliou que a economia segue em expansão em ritmo consistente.

Projeções e próximos passos

O chamado “gráfico de pontos”, ferramenta em que cada dirigente do Fed registra sua projeção para os juros, contou com 18 contribuições de um total de 19 integrantes do comitê. Os dirigentes projetam uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim de 2026.

A expectativa de inflação para o fim de 2026 foi revisada para cima: saiu de 2,7% para 3,6%. Para 2027, a projeção é de 2,3%, com os juros esperados no nível atual. Apenas em 2028 os dirigentes antecipam algum recuo nas taxas.

Warsh, que tomou posse em 22 de maio para um mandato de quatro anos, afirmou em entrevista coletiva que o comunicado evitou indicar os próximos passos. “Não posso dar nenhuma orientação futura sobre o que faremos a seguir. A boa notícia é que nos reuniremos novamente em seis semanas”, disse.

Trump pressiona por cortes

Esta foi a 12ª decisão do Fed desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde então, o banco central americano realizou três cortes de juros, mas nenhum nas últimas cinco reuniões.

Na semana anterior à decisão, Trump concedeu entrevista à NBC News e voltou a defender juros mais baixos. O presidente americano não tem poder formal sobre as decisões do Fed, que é uma instituição independente.

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