Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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Ordem no Itamaraty é para Lula não elevar o tom contra Trump no G7

Agenda do presidente brasileiro prevê encontro com a primeira-ministra do Japão para iniciar o processo de negociação de um acordo comercial entre Mercosul e o país asiático

Por Jamil Chade | Atualizado em
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Na reunião que congrega sete líderes mundiais, quatro chefes de Estado adicionais foram convidados, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mandatário brasileiro adota um posicionamento firme contra as nações desenvolvidas, cobrando diretamente o fim de medidas protecionistas.

Contudo, em virtude das negociações em andamento entre o Brasil e os Estados Unidos, a orientação do Itamaraty é para que o presidente evite elevar o tom e não mencione nominalmente Donald Trump em seus discursos. Dessa forma, a mensagem contra o protecionismo será transmitida de maneira ampla, sem isolar o cenário norte-americano, com o objetivo de não prejudicar os diálogos bilaterais vigentes.

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Paralelamente, durante a agenda em Evian, está previsto um encontro entre o presidente brasileiro e a primeira-ministra do Japão para iniciar o processo de negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático. Esse movimento evidencia como as políticas econômicas de Donald Trump têm forçado uma reorganização no mercado internacional, levando tanto o bloco sul-americano quanto grandes economias mundiais a buscarem novos parceiros.

Diante das tarifas e incertezas associadas aos Estados Unidos, que historicamente atuam como um parceiro tradicional, os países tentam costurar maior previsibilidade fora da esfera de influência norte-americana por meio de novos tratados.

Essa dinâmica já havia impulsionado a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que permaneceu travado por anos e foi finalmente fechado como uma reação direta ao protecionismo norte-americano.

O iminente processo de aproximação entre o bloco e o Japão surge como mais um desdobramento global dessa conjuntura. Ironicamente, a postura isolacionista de Washington tem gerado um efeito colateral de abertura de mercados e fortalecimento de laços entre outras economias globais, que buscam novos acordos para compensar os impactos causados pelas barreiras comerciais dos Estados Unidos.

Leia mais: Lula e presidente da Suíça se reúnem e ampliam acordos de cooperação entre os países

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