A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma reação do governo dos Estados Unidos. O Departamento de Estado da gestão do presidente Donald Trump classificou a decisão da Justiça brasileira como um caso de “perseguição” e de uso político do sistema judicial contra adversários da oposição.
Um porta-voz da diplomacia americana afirmou que o caso representa “mais um exemplo de perseguição e manipulação jurídica” por parte dos tribunais brasileiros. Segundo o governo dos EUA, debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações judiciais.
A declaração foi feita após a Primeira Turma do STF condenar, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Além da pena, o ex-deputado foi condenado ao pagamento de multa, perderá o cargo de escrivão da Polícia Federal — do qual estava afastado — e ficará inelegível por oito anos após o cumprimento da pena.
De acordo com a decisão, Eduardo atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades e tentar influenciar investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-parlamentar está nos EUA desde 2025 e já anunciou que pretende recorrer da condenação.
A manifestação do Departamento de Estado ocorreu um dia após o próprio Donald Trump comentar o caso durante compromissos internacionais. Ao falar com jornalistas, o presidente americano criticou a situação, embora tenha se confundido ao citar integrantes da família Bolsonaro. Trump afirmou ter ouvido que “prenderam o Bolsonaro Jr.” e sugeriu que a medida teria motivação política.
A resposta brasileira veio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comentou as declarações durante agenda internacional. Lula afirmou que Trump tem o direito de ter suas preferências políticas, mas disse que o republicano “desconhece o Brasil” se sua visão do país estiver baseada apenas na relação com a família Bolsonaro.
O presidente brasileiro também ressaltou a importância do respeito à soberania nacional. “Só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, declarou.
A troca de declarações ocorre em um momento de negociações delicadas entre Brasil e Estados Unidos sobre questões comerciais. Os dois países discutem possíveis tarifas sobre produtos brasileiros, além de temas ligados à regulação de plataformas digitais e ao sistema de pagamentos Pix.
*Com informações da Reuters
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