Além do Banco Digimais: 5 polêmicas de Edir Macedo, investigado pela PF

Trajetória do líder religioso é historicamente entrelaçada a grandes contestações judiciais, midiáticas e institucionais

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O bispo Edir Macedo
(Foto: Igreja Universal do Reino de Deus)

A deflagração da Operação Miragem pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23/06) trouxe novamente os negócios do bispo Edir Macedo para o centro dos holofotes jurídicos. A ação penal investiga fraudes contábeis, manipulação de balanços e ocultação de perdas no Banco Digimais, instituição controlada pelo fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), resultando no bloqueio judicial de até R$ 670 milhões.

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Embora o caso represente um novo capítulo nas investigações sobre o conglomerado financeiro e midiático do líder religioso, a trajetória de Edir Macedo é historicamente entrelaçada a grandes contestações judiciais, midiáticas e institucionais. Relembre cinco das maiores polêmicas que marcaram a biografia do empresário.

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A prisão preventiva em 1992

O embate mais célebre de Edir Macedo com as autoridades ocorreu em maio de 1992. Logo após a realização de um culto na zona sul de São Paulo, o bispo recebeu voz de prisão e passou 11 dias detido na carceragem do 9º Distrito Policial, no Carandiru. À época, o Ministério Público o acusou formalmente de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. A imagem do líder religioso atrás das grades estampou as principais capas de jornais do país. Macedo acabou absolvido de todas as acusações anos mais tarde, utilizando o episódio na literatura da própria igreja como símbolo de “perseguição religiosa”.

O “Chute na Santa” (1995)

No dia 12 de outubro de 1995, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, a Igreja Universal protagonizou uma de suas crises institucionais mais agudas. Durante um programa televisivo transmitido pela Rede Record, o bispo Sérgio Von Helde desferiu pontapés e golpes em uma imagem da padroeira do Brasil para criticar o que chamava de “idolatria”. O ato provocou forte indignação popular em um país de maioria católica e gerou protestos massivos. Embora não tenha sido o autor do gesto, Edir Macedo, na condição de líder máximo da instituição, precisou ir a público pedir desculpas oficiais e transferir Von Helde para fora do país para conter a crise.

Denúncia por lavagem de dinheiro e evasão de divisas (2011)

Em 2011, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma denúncia robusta contra Edir Macedo e outros três dirigentes da Universal por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A tese da acusação sustentava que recursos provenientes de dízimos e doações de fiéis eram captados de forma fraudulenta e enviados ao exterior por meio de empresas de fachada (conhecidas como “procuradoras”). Posteriormente, os valores retornavam ao Brasil para financiar a compra de ativos particulares, como emissoras de rádio e TV. O processo tramitou por anos na Justiça Federal e, em outubro de 2019, foi declarado extinto por prescrição, sem que o mérito da culpa fosse julgado em definitivo.

Fraude em importações de equipamentos da Rede Record (2006)

A bilionária aquisição e expansão da Rede Record sempre esteve sob a lupa de auditores federais. Em 2006, Edir Macedo e executivos da emissora foram formalmente denunciados pelo MPF por uso de documentos falsos e inserção de dados fraudulentos em importações. A Receita Federal interceptou cerca de 1,7 tonelada de equipamentos de radiodifusão vindos do exterior. De acordo com as investigações, o grupo subfaturava as notas fiscais oficiais para pagar menos impostos e internalizar maquinário técnico de ponta de forma irregular.

Acusações de intolerância religiosa e veto a livro (2005)

O conteúdo doutrinário produzido por Edir Macedo também já foi objeto de intervenção do Poder Judiciário. Em 2005, a Justiça Federal na Bahia acolheu um pedido do Ministério Público e determinou a suspensão temporária da circulação e venda do livro “Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?”, de autoria de Macedo. O órgão alegou que a obra continha forte teor discriminatório e preconceituoso contra as religiões de matriz afro-brasileira, associando suas divindades a figuras demoníacas. Recursos judiciais posteriores garantiram a volta do livro às prateleiras, sob o argumento da garantia constitucional da liberdade de expressão e manifestação de pensamento.

O cenário atual: Operação Miragem

Diferente das polêmicas focadas na atuação estritamente religiosa, a atual investigação da Polícia Federal mira a governança corporativa de Edir Macedo. Conforme os relatórios do Banco Central que subsidiam o inquérito da Operação Miragem, os diretores do Banco Digimais teriam fraudado balancetes para maquiar a saúde financeira da instituição e forjar uma estabilidade contábil inexistente. A defesa do bispo e a administração do banco ainda não emitiram pareceres conclusivos sobre as buscas efetuadas.

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