A Polícia Federal deflagrou, na terça-feira (23), a Operação Miragem para investigar suspeitas de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional no Banco Digimais. Cinquenta agentes cumpriram 9 mandados de busca e apreensão. A Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis do banco. O esquema teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas na casa de centenas de milhões de reais. As apurações apontam ainda para possível falsificação e inserção de dados falsos em sistemas oficiais do regulador.
A PF descreve o caso como envolvendo “gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas”. As investigações partiram de relatórios do Banco Central do Brasil, que apontou graves irregularidades na instituição.
O Banco Digimais foi fundado em 1981 em Porto Alegre, com o nome de Banco Renner. Em 2020, passou por reestruturação e foi renomeado para atuar como banco digital. Naquele mesmo ano, o bispo Edir Macedo assumiu o controle integral da instituição. Ele já era acionista minoritário desde 2009.
Em janeiro de 2025, Macedo transferiu o controle do Digimais para o empresário Maurício Quadrado. A transação, porém, foi desistida no mesmo período, em função da deterioração recente do mercado, conforme o histórico da operação.
Quem é Maurício Quadrado
Quadrado foi sócio e head de Investment Banking do Banco Master entre 2020 e 2024, período em que liderou aquisições relevantes para a instituição. Em 2024, ele vendeu sua participação de 30% no Banco Master.
Na prática, o caso afeta diretamente quem tem dinheiro depositado ou investido em bancos menores: quando uma instituição manipula seus balanços, o risco real para os clientes fica escondido, e o sistema de proteção, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pode ser acionado em caso de intervenção regulatória.



