Sete pessoas foram presas pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã desta terça-feira (23) durante uma operação que desarticulou um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF). Entre os detidos, três já tinham histórico criminal por envolvimento na bilionária fraude do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), golpe similar que, desde 2023, realizava deduções indevidas diretamente na folha de pagamento de milhões de segurados do país.
Além das prisões, a operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão. Três servidores do Banco de Brasília (BRB), suspeitos de integrar o esquema criminoso, foram alvo das buscas e prestaram depoimento à polícia. Eles não foram presos, mas, segundo a polícia, o BRB já abriu uma apuração interna para investigar a conduta dos funcionários. No Distrito Federal, as ações policiais se concentraram nas regiões da Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico.
De acordo com as investigações da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, à Propriedade Imaterial e a Fraudes (CORF), o modus operandi da organização criminosa era idêntico ao utilizado nas fraudes nacionais do INSS. Associações e sindicatos criavam Contratos de Débito Automático (CDA) falsificados para autorizar os desvios diretamente nas contas bancárias das vítimas, sem qualquer comprovação ou consentimento real dos beneficiários. Em diversos relatos, os idosos afirmaram que nunca tinham ouvido falar das entidades e tampouco autorizado os descontos.
O delegado Henry Galdino, Diretor da Divisão de Defraudações e Falsificações (Difraudes/CORF), explicou como os criminosos agiam. “O contrato de CDA, Contrato de Débito Automático, ele prevê que a autorização podia ser por telefone. Mas tinha que juntar o áudio e, além do áudio, as transcrições. Só que esses áudios nunca apareceram, eram só as transcrições que eles forneciam”, falou o delega à reportagem da TMC.
A Polícia Civil estima que mais de 3.500 contas de aposentados e pensionistas do GDF tenham sido afetadas pelo golpe no DF, gerando um prejuízo inicial superior a R$ 5 milhões. Como os descontos eram pequenos, um valor pouco maior que R$ 40 mensais, muitas vítimas demoravam meses para perceber o desfalque em seus orçamentos. Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), todos os descontos realizados pela associação investigada já foram preventivamente suspensos.
O que diz o Governo do Distrito Federal
A governadora do DF, Celina Leão, manifestou-se publicamente sobre o caso e garantiu empenho para que as vítimas não fiquem no prejuízo. “A nossa determinação para a Polícia Civil é que apure toda essa situação. É inadmissível lesionar o servidor público. E esse golpe dos aposentados é um golpe que acontece em todo o Brasil, tanto que tem a tem mandados de de busca sendo feito em outros estados também, né, para pegar essa quadrilha, que é uma quadrilha que agia de forma organizada nos estados”, destacou a governadora.
Segundo Celina Leão, além da interrupção imediata das cobranças abusivas, o GDF agora estuda mecanismos jurídicos e financeiros para garantir a devolução integral do dinheiro que foi retirado ilegalmente das contas dos aposentados e pensionistas.



