Pela primeira vez, uma espaçonave robótica tentará “capturar” um telescópio em órbita para impedir que ele caia na Terra. Se der certo, o próximo da fila pode ser o famoso Hubble.
Parece roteiro de filme de ficção científica, mas é uma missão real da NASA.
A agência espacial americana está prestes a iniciar uma operação inédita para salvar o Observatório Swift, um telescópio lançado em 2004 que corre o risco de cair de volta à Terra. O motivo é um fenômeno pouco conhecido: a intensa atividade do Sol dos últimos anos fez a atmosfera terrestre “inchar”, aumentando o atrito sobre satélites e telescópios que orbitam o planeta.
Sem motores próprios, o Swift perdeu altitude muito mais rápido do que os cientistas esperavam. Se nada for feito, ele deve reentrar na atmosfera ainda este ano e será destruído pelo calor da queda.
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Uma missão que nunca foi feita nos Estados Unidos
Para evitar esse fim, a NASA investiu US$ 30 milhões em uma missão considerada histórica.
Uma empresa americana, a Katalyst Space Technologies, desenvolveu uma pequena espaçonave robótica chamada Link. Ela será lançada por um foguete Pegasus e terá uma tarefa extremamente delicada: encontrar o Swift em órbita, aproximar-se dele, agarrá-lo com três braços robóticos e empurrá-lo para uma órbita mais alta e segura.
Será a primeira missão americana de resgate de um satélite científico em órbita.
Se tudo funcionar, o Swift poderá continuar operando por pelo menos mais cinco anos. Se falhar, o telescópio será perdido.
Mas por que o Sol está “puxando” o telescópio?
Na verdade, o Sol não está atraindo o Swift.
O que acontece é que o Sol passa por ciclos de maior atividade. Nos últimos anos, ele lançou grandes quantidades de energia e partículas que aqueceram a parte mais alta da atmosfera da Terra.
Quando essa camada aquece, ela se expande. Com isso, o ar extremamente rarefeito existente a centenas de quilômetros de altitude fica um pouco mais denso, aumentando o atrito sobre objetos em órbita baixa.
É como se o telescópio encontrasse um “vento contrário” no espaço. Aos poucos, ele perde velocidade e começa a descer.
Por que não construir outro telescópio?
Porque seria muito mais caro.
Embora tenha sido projetado para funcionar por apenas dois anos, o Swift continua sendo um dos principais instrumentos do mundo para detectar explosões de raios gama, os eventos mais energéticos conhecidos no Universo.
Foi graças a ele que cientistas fizeram descobertas importantes sobre a formação de elementos pesados, como ouro e platina, produzidos em colisões entre estrelas de nêutrons. Substituir um equipamento com esse histórico levaria anos e custaria centenas de milhões de dólares.
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O Hubble pode ser o próximo
O Swift não é o único afetado.
O famoso Telescópio Espacial Hubble, lançado em 1990, também vem perdendo altitude pelo mesmo motivo. Ele ainda não corre risco imediato, mas a empresa responsável pela missão afirma que pretende usar uma versão maior da tecnologia para tentar prolongar a vida útil do Hubble nos próximos anos.
Se a missão do Swift for bem-sucedida, ela poderá inaugurar uma nova era da exploração espacial: em vez de abandonar telescópios e satélites antigos, será possível repará-los, abastecê-los e devolvê-los ao trabalho, como acontece hoje com aviões e navios.




