Bolsa dos EUA fecha melhor trimestre desde 2020 impulsionada por IA e lucros robustos

S&P 500, Nasdaq e Dow Jones acumularam fortes ganhos no trimestre, mas cenário para o segundo semestre ainda inspira cautela

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Wall Street
(Foto: Rob Miller/Unsplash)

Os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram a terça-feira (30/06) em alta e registraram o melhor desempenho trimestral desde 2020, mostrando que, ao menos por enquanto, Wall Street tem dado mais peso aos lucros das empresas, ao avanço da tecnologia e à inteligência artificial do que aos riscos geopolíticos.

No segundo trimestre, o S&P 500 avançou 14,9%. A Nasdaq, concentrada em empresas de tecnologia, subiu 21,4%, enquanto o Dow Jones acumulou alta de cerca de 13%, seu melhor resultado trimestral desde 2022.

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Grande parte desse desempenho foi impulsionada pelas empresas de semicondutores. A corrida global por chips, acelerada pela expansão da inteligência artificial, elevou a demanda por memórias e equipamentos utilizados em data centers. Esse movimento sustentou a valorização das empresas do setor, mesmo em um ambiente de juros elevados e de tensões no Oriente Médio.

O desempenho do trimestre reforça a percepção de que, quando os resultados corporativos superam as expectativas, os investidores tendem a relativizar fatores de risco externos. Nem os conflitos geopolíticos, nem as oscilações do mercado ou as incertezas sobre a inflação foram suficientes para impedir a recuperação das bolsas americanas.

Ainda assim, o cenário exige cautela.

Os indicadores econômicos divulgados nesta terça-feira ajudaram a sustentar o otimismo, mas apontam sinais mistos. As vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos subiram para 7,594 milhões em maio, o maior nível em dois anos, indicando que o mercado de trabalho continua resiliente. Por outro lado, as contratações recuaram pelo segundo mês consecutivo, sinalizando que as empresas seguem mais cautelosas na hora de ampliar seus quadros.

A confiança do consumidor também avançou levemente em junho, favorecida pela queda dos preços do petróleo. Em contrapartida, cresceu o número de americanos que afirmam estar mais difícil encontrar emprego, indicando uma piora na percepção sobre o mercado de trabalho.

Com isso, o segundo semestre começa com uma questão central: até que ponto os lucros das empresas e o entusiasmo em torno da inteligência artificial serão suficientes para sustentar a alta das bolsas caso os juros permaneçam elevados?

Por enquanto, Wall Street respondeu com ganhos. O desafio, agora, será manter esse ritmo à medida que novos balanços corporativos, os dados de inflação, as decisões sobre juros e o cenário geopolítico voltem a disputar a atenção dos investidores.

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