“Não vamos deixar essa turma tomar o poder para fazer ‘Bolsa Crack’.” Essa foi uma das falas de Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, durante o uso da palavra na entrega da Praça do Triunfo. A obra do espaço faz parte do pacote de revitalização do centro da capital.
Ao comentar os trabalhos feitos para o fim da chamada “Cracolândia”, zona tomada por dependentes químicos que costumavam ocupar ruas da região, ele disse que o antigo governo do estado foi um dos principais responsáveis pela existência daquela situação na qual a cidade se encontrava.
Nunes repetiu duas vezes: “Nós não vamos deixar a esquerda voltar a governar São Paulo”.
Em outro momento comentou que, após o início dos projetos aplicados e prisões feitas de traficantes, o presidente Lula veio a São Paulo e teria cumprido uma agenda que atrapalhou os diálogos com moradores das comunidades, prejudicando o combate ao tráfico de drogas.
Nunes cita uma visita que Lula fez à Favela do Moinho, onde teria se encontrado com pessoas relacionadas ao crime organizado — algo que não tem comprovação. A partir desse contato, os moradores teriam recuado nas negociações com os órgãos públicos que buscavam destruir estruturas do tráfico, desapropriar algumas residências e retomar áreas dominadas pelo crime, atrapalhando assim os trabalhos da prefeitura e do Estado na época.
Em junho de 2025, o Governo Federal, com a participação de Lula e do Ministério dos Direitos Humanos, oficializou uma proposta de solução habitacional e regularização para a comunidade, que há anos lutava contra a remoção forçada.
Neste contexto, o presidente teria atrapalhado os esforços conjuntos da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado (sob a gestão de Tarcísio de Freitas) para desapropriar e remover a comunidade, em meio aos planos de revitalização do Centro Histórico e de combate à Cracolândia.
As gestões de Nunes e Tarcísio classificam a Favela do Moinho como um “entreposto” logístico e um “bunker” utilizado pelo crime organizado (especificamente o PCC) para armazenar e distribuir drogas que abastecem a Cracolândia. A remoção do local é vista pelo município como um passo fundamental para asfixiar o tráfico.
O governo federal ainda não se pronunciou sobre as falas de Nunes. Em embates anteriores, o Planalto argumentou que a prefeitura e o estado tentam criminalizar toda a população vulnerável da favela sob a justificativa de combater o PCC, usando a força policial (com denúncias de truculência e invasões sem mandado) em vez de promover urbanização e dignidade para as famílias que vivem no local.
Além da entrega da Praça do Triunfo, entre os projetos do pacote de revitalização do centro está a reforma do entorno do Viaduto do Chá, Praça do Patriarca e Theatro Municipal, com investimento previsto de R$ 75,5 milhões, além de outras intervenções em mobilidade, segurança, iluminação e recuperação de espaços públicos voltadas à revitalização do Centro Histórico.
Leia mais: Ricardo Salles rebate Ricardo Nunes e chama Centrão de “câncer do Brasil”




