Nunes critica Lula por Cracolândia e diz que não vai deixar “essa turma tomar o poder para fazer o Bolsa Crack”

Segundo o prefeito, uma visita do presidente à comunidade prejudicou o projeto para encerrar a região em São Paulo antes tomada por dependentes químicos

Por , São Paulo | Atualizado em:
SP - CRACOLÂNDIA/SP/REQUALIFICAÇÃO/PRAÇA DO TRIUNFO/TARCÍSIO/NUNES - GERAL - O prefeito Ricardo Nunes participa da inauguração da Praça do Triunfo, na região de Santa Ifigênia, região central da capital paulista, nesta quarta-feira, 1. O espaço, revitalizado com uma quadra poliesportiva bancos e um pequeno jardim, ficou conhecido por ter concentrado, anteriormente, usuários de drogas da Cracolândia. 01/07/2026 -
(Foto: RENATO PADALKA/MODUSFOCUS/ESTADÃO CONTEÚDO)

“Não vamos deixar essa turma tomar o poder para fazer ‘Bolsa Crack’.” Essa foi uma das falas de Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, durante o uso da palavra na entrega da Praça do Triunfo. A obra do espaço faz parte do pacote de revitalização do centro da capital.

Ao comentar os trabalhos feitos para o fim da chamada “Cracolândia”, zona tomada por dependentes químicos que costumavam ocupar ruas da região, ele disse que o antigo governo do estado foi um dos principais responsáveis pela existência daquela situação na qual a cidade se encontrava.

Nunes repetiu duas vezes: “Nós não vamos deixar a esquerda voltar a governar São Paulo”.

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Em outro momento comentou que, após o início dos projetos aplicados e prisões feitas de traficantes, o presidente Lula veio a São Paulo e teria cumprido uma agenda que atrapalhou os diálogos com moradores das comunidades, prejudicando o combate ao tráfico de drogas.

Nunes cita uma visita que Lula fez à Favela do Moinho, onde teria se encontrado com pessoas relacionadas ao crime organizado — algo que não tem comprovação. A partir desse contato, os moradores teriam recuado nas negociações com os órgãos públicos que buscavam destruir estruturas do tráfico, desapropriar algumas residências e retomar áreas dominadas pelo crime, atrapalhando assim os trabalhos da prefeitura e do Estado na época.

Em junho de 2025, o Governo Federal, com a participação de Lula e do Ministério dos Direitos Humanos, oficializou uma proposta de solução habitacional e regularização para a comunidade, que há anos lutava contra a remoção forçada.

Neste contexto, o presidente teria atrapalhado os esforços conjuntos da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado (sob a gestão de Tarcísio de Freitas) para desapropriar e remover a comunidade, em meio aos planos de revitalização do Centro Histórico e de combate à Cracolândia.

As gestões de Nunes e Tarcísio classificam a Favela do Moinho como um “entreposto” logístico e um “bunker” utilizado pelo crime organizado (especificamente o PCC) para armazenar e distribuir drogas que abastecem a Cracolândia. A remoção do local é vista pelo município como um passo fundamental para asfixiar o tráfico.

O governo federal ainda não se pronunciou sobre as falas de Nunes. Em embates anteriores, o Planalto argumentou que a prefeitura e o estado tentam criminalizar toda a população vulnerável da favela sob a justificativa de combater o PCC, usando a força policial (com denúncias de truculência e invasões sem mandado) em vez de promover urbanização e dignidade para as famílias que vivem no local.

Além da entrega da Praça do Triunfo, entre os projetos do pacote de revitalização do centro está a reforma do entorno do Viaduto do Chá, Praça do Patriarca e Theatro Municipal, com investimento previsto de R$ 75,5 milhões, além de outras intervenções em mobilidade, segurança, iluminação e recuperação de espaços públicos voltadas à revitalização do Centro Histórico.

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