Diretora da Fiesp questiona fim da escala 6×1 e cita salão de beleza aos sábados

Durante debate sobre a PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas, Luciana Nunes Freire afirmou que mudança pode comprometer o funcionamento de serviços aos fins de semana

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Sessão de Debates - Fim da escala 6x1 no Brasil (PEC 221/2019) Plenário do Senado Federal durante sessão de debates temáticos destinada a discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da Proposta de Emenda à Constituição nº 221, de 2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada escala 6x1 no Brasil. A PEC, já aprovada na Câmara dos Deputados, diminui a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, e estabelece implementação gradual da escala. Em discurso, à tribuna, diretora executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire
(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A diretora-executiva Jurídica da Fiesp, Luciana Nunes Freire, questionou nesta quarta-feira (1º/7) os impactos da proposta que acaba com a escala 6×1 durante audiência pública realizada no Senado para discutir a PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece a escala 5×2 como padrão.

Ao defender a posição da indústria, Luciana afirmou que a mudança pode comprometer o funcionamento de serviços utilizados pela população aos fins de semana. Como exemplo, disse que costuma frequentar salões de beleza aos sábados.

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“Eu trabalho [na escala] 5×2. E, aos sábados, qualquer mulher que esteja neste plenário, que esteja no centro urbano ou que esteja numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender?”, afirmou.

Na sequência, a executiva citou outras atividades que realiza aos domingos para sustentar que a alteração na jornada pode afetar a rotina das famílias.

“Aos domingos, eu abasteço o supermercado, busco comida para minha família. Compro remédio para minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim?”, questionou.

As declarações ocorreram durante audiência que debate a proposta de emenda à Constituição que põe fim à escala 6×1, tema que se tornou um dos principais embates trabalhistas no país. A iniciativa surgiu a partir do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e foi apresentada no Congresso pela deputada Erika Hilton. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora está em análise no Senado.

A proposta prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários. Pela redação aprovada pelos deputados, a carga horária cairia inicialmente para 42 horas, 60 dias após a promulgação da emenda, chegando às 40 horas um ano depois.

A Fiesp é contrária ao texto e defende uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho, que amplia a possibilidade de negociação direta entre empregados e empregadores sobre a jornada de trabalho. A proposta permite que trabalhadores optem entre o regime tradicional da CLT e um modelo mais flexível baseado em horas trabalhadas, além de ampliar as hipóteses de acordos individuais para compensação de jornada.

Enquanto entidades empresariais argumentam que a redução da carga horária pode elevar custos e dificultar a organização de setores que operam aos fins de semana, os defensores da PEC afirmam que a mudança busca reduzir a exaustão dos trabalhadores sem impedir o funcionamento de serviços, que poderiam continuar operando mediante reorganização das escalas e contratação de equipes em turnos diferentes.

O debate sobre a proposta segue no Senado, onde o texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser analisado pelo plenário.

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