O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do Governo na Câmara, protocolou nesta quarta-feira (1º) uma notícia de fato na Polícia Federal pedindo a abertura de uma investigação sobre a compra de uma mansão de luxo no Lago Sul, em Brasília, pelo advogado José Vicente Santini, apontado como coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento também pede que sejam apuradas as condições do financiamento concedido pelo Banco de Brasília (BRB), a origem dos recursos utilizados na operação e o uso político do imóvel.
Segundo a representação, a mansão foi adquirida por R$ 14,5 milhões. Do total, R$ 4 milhões teriam sido pagos como entrada, enquanto os R$ 10,5 milhões restantes foram financiados pelo BRB. O parlamentar afirma que o valor do financiamento levanta dúvidas sobre a capacidade financeira dos compradores e pede que a Polícia Federal verifique a origem do dinheiro utilizado na entrada, a renda declarada por Santini e a regularidade da operação de crédito.
O documento destaca que, embora o imóvel esteja registrado em nome de Santini, a residência teria passado a ser utilizada por Flávio Bolsonaro para reuniões políticas, encontros com aliados e articulações de sua pré-campanha presidencial. Por isso, o PT pede que a PF apure se houve contrato de aluguel, comodato, cessão gratuita ou qualquer outro instrumento que justifique o uso da mansão pelo senador e sua equipe política.
Na petição, Lindbergh afirma que o caso deve ser analisado também por envolver o BRB, banco público que financiou tanto a mansão de Santini quanto outro imóvel adquirido anteriormente por Flávio Bolsonaro no Lago Sul. O deputado cita que o banco aparece em investigações relacionadas ao Banco Master e pede que a Polícia Federal verifique se houve tratamento diferenciado na concessão dos financiamentos ou eventual flexibilização de critérios internos. O documento, no entanto, ressalta que não afirma a existência de irregularidades, mas defende que os fatos sejam esclarecidos.
Leia mais:
Lindbergh pede instauração de inquérito contra Flávio Bolsonaro por envolvimento com Vorcaro | TMC
A representação também menciona reportagens sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o documento, a Polícia Federal deve investigar se existe alguma conexão financeira entre pessoas ou empresas ligadas ao banco, a aquisição da mansão e o projeto do filme “Dark Horse”, inspirado no ex-presidente Jair Bolsonaro. A petição cita notícias de que Flávio teria buscado recursos junto a Vorcaro para financiar a produção, mas registra que o senador negou qualquer irregularidade.
Outro ponto levantado é a possibilidade de o imóvel ter sido utilizado como estrutura de pré-campanha. O parlamentar pede que a Polícia Federal verifique quem custeia as despesas da residência, como parcelas do financiamento, reformas, segurança, mobiliário e manutenção, além de identificar quem participou das reuniões realizadas no local e se houve algum benefício econômico ou eleitoral não declarado.
Entre os pedidos feitos à Polícia Federal estão a requisição de todos os documentos do financiamento junto ao BRB, informações cartorárias sobre os imóveis, relatórios financeiros, eventual compartilhamento de dados com o Coaf, oitivas dos envolvidos e, caso sejam encontrados indícios de irregularidades, a adoção de medidas cautelares e o envio do caso à Procuradoria-Geral da República, em razão do foro privilegiado do senador.




