Jamil Chade
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Nome de referência no jornalismo internacional, Jamil Chade é jornalista e escritor, com vasta experiência em coberturas globais. Como correspondente internacional, analisa as forças que regem a política mundial, com foco especial nas Nações Unidas e nos temas urgentes que definem as relações entre as grandes potências.

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UE amplia barreiras ao aço brasileiro e liga alerta sobre protecionismo

Com base no recente acordo Mercosul-UE, Brasil tentará reduzir taxas

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(Foto: Stephanie Lecocq/Reuters)

O governo brasileiro lamentou as decisões tomadas pela União Europeia contra o aço brasileiro e disse que essa iniciativa, de fato, são medidas unilaterais contra as exportações não apenas brasileiras, mas de vários outros países do mundo, deixando muito claro que o problema do protecionismo não é apenas um problema da relação dos Estados Unidos com seus parceiros comerciais. É uma crítica à União Europeia e às novas taxas contra o aço. 

Qual é o argumento europeu? Eles dizem o seguinte: “nós precisamos proteger nossa indústria siderúrgica contra o que eles chamam de super produção mundial”. Falando assim, parece que todos os países do mundo estão produzindo muito aço e que esse aço está chegando ao mercado europeu, prejudicando a indústria siderúrgica europeia. 

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Mas a história não é bem essa. O que de fato existe é uma super produção de aço na China especificamente. Claro que o que a UE tenta fazer é adotar medidas que possam frear essa relação comercial, esse desembarque do aço chinês no mercado europeu. Pelas regras do comércio internacional, você não pode adotar uma medida como essa contra um país, precisa ser estendida a todo o setor para não caracterizada como algo discriminatório. 

O que o Brasil diz? Em nota publicada divulgada ontem, nós também somos afeitados pela superprodução mundial de aço. E nem por isso temos colocado barreiras contra o produto.  De fato, alertando que essa medida prejudica a todos e não soluciona a questão central, que é justamente a tentativa de acordo global para o setor do aço. O que diz a medida da UE? basicamente aumenta em 50% os impostos sobre o aço brasileiro no mercado europeu.

Quais os próximos passos? O governo brasileiro não tem a OMC para recorrer. Nos últimos anos, a entidade foi desmontada por Trump. Hoje aqueles tribunais que tanto agiram pelo comércio internacional estão absolutamente paralisados. O Brasil, segundo minhas fontes, vai tentar dialogar com a UE para dizer: “olha, acabamos de assinar um acordo comercial, Mercosul-UE. Fechamos uma parceria estratégica. Uma medida como essa vai no sentido contrário de tudo o que negociamos”.

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É uma tentativa de obter uma saída diplomática para mais essa crise. E fica a situação constatada de que o protecionismo não é exclusividade de Donald Trump. O que estamos vendo nos últimos meses são vários governos de países riscos adotando medidas protecionistas contra parceiros comerciais, adversários, acima de tudo tentando proteger sua indústria nacional, algo muito diferente do liberalismo econômico e comercial que estes mesmos países defenderam, principalmente nos anos 90 e no início deste século.     

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