O Ministério Público do Ceará formalizou denúncia contra o jogador argentino José María Herrera, imputando-lhe os crimes de injúria racial e lesão corporal grave. O caso tem como pano de fundo uma confusão registrada durante as comemorações de réveillon em um condomínio de alto padrão localizado no município do Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza.
Segundo o MP, Herrera imobilizou um vizinho e “passou a desferir-lhe sucessivos golpes, extrapolando manifestamente os limites de uma eventual reação defensiva”. Em seguida, conforme a denúncia, mordeu a região nasal da vítima, causando perda de substância anatômica. O relatório médico acessado pelo g1 constatou “presença de perda de substância em região nasal, com bordas irregulares e comprometidas, caracterizando lesão de maior complexidade”.
Lesões graves e cirurgia
A vítima ficou com deformidade permanente na região nasal e debilidade permanente da função respiratória, de acordo com o Ministério Público do Ceará. O relatório médico apontou risco elevado de infecção, necrose e deformidade facial, o que levou a vítima a ser submetida a uma cirurgia.
A denúncia descreve que, quando a vítima já estava dominada e em posição de inferioridade física, Herrera “mordeu-lhe a região nasal, causando perda de substância anatômica e lesões de natureza gravíssima, consistentes em deformidade permanente, bem como debilidade permanente da função respiratória”.
Injúria racial e indenizações
Além das agressões físicas, o MP também denunciou Herrera por injúria racial. Segundo a acusação, ele chamou vizinhos de “brasileiro de merda” e “brasileiros filhos da puta” durante a confusão.
O órgão pediu indenização mínima de R$ 5 mil por danos materiais, morais e psicológicos. Pela gravidade das lesões, o MP solicitou ainda uma indenização separada de R$ 45 mil.
As imagens de câmeras de segurança do condomínio ajudaram a identificar os envolvidos na briga, que começou após vizinhos reclamarem do som alto na casa do também ex-jogador argentino do Fortaleza Eros Mancuso.
Pochettino e Herrera: situações diferentes
Outro argentino envolvido na confusão, Tomas Pochettino, não foi denunciado pelo MP. Segundo o Ministério Público do Ceará, ele agiu em legítima defesa.
Já Herrera deixou o Fortaleza no fim de janeiro deste ano para defender o RB Bragantino.




