No coração de São Paulo, espaços tradicionais seguem ajudando a contar a história da boêmia no centro. Um dos exemplos mais emblemáticos é o Ponto Chic, onde tradição e convivência caminham lado a lado.
Fundado nos anos 1920, o bar ficou conhecido por ser o berço do sanduíche Bauru, criado em 1937. Mas, para muitos frequentadores, o que mantém o endereço vivo vai além do cardápio.
“É um ambiente gostoso, agradável. O pessoal já conheço há muito tempo, desde o gerente, todo mundo, os garçons. Então a amizade aqui é tranquila”, afirma o gerente predial Ângelo, cliente antigo do local.
Ele reforça o vínculo afetivo com o espaço: “Já virou família, frequentar aqui já virou família. É uma coisa agradável, diferente.”
Clássico da casa, o Bauru servido no Ponto Chic segue a receita original: rosbife frio, pão, queijo, tomate e picles — um símbolo da tradição que atravessa gerações.
Mas, se durante o dia a boêmia tem sabor de memória, à noite o centro revela outra faceta.
Prédios históricos vêm ganhando novos significados, e um dos principais exemplos dessa transformação é o Edifício Martinelli. Reaberto recentemente, o primeiro arranha-céu da cidade passou a abrigar festas, eventos culturais e experiências nos andares mais altos.
Segundo Fábio Floriano, sócio do Grupo Tokyo, responsável por parte da programação, o projeto nasceu com o objetivo de valorizar o patrimônio histórico: “O principal para nós foi reconhecer o Edifício Martinelli como um patrimônio histórico do Brasil. A partir disso, começamos a imaginar que ele deveria ser um grande equipamento cultural”.
A proposta é transformar o espaço em um ponto de encontro que funcione em diferentes horários e para públicos variados. Para quem vive a noite paulistana, o centro sempre teve esse papel. “O centro é vivo, desde sempre, se mantém vivo”, diz o DJ Reisse.
Já o DJ Ross7 destaca o momento atual: “Quando eu toco por lá, eu me sinto parte de um movimento de ressignificação maior.”
Mais do que cenário, o centro segue como ponto de encontro da cidade, reunindo histórias, sons e pessoas.
“Se o centro para pra noite paulistana, a noite paulistana morre”, resume Reisse.
Ross7 completa: “Meu desejo é que o centro seja cada vez mais o nosso lugar comum de encontro pra arte e cultura em São Paulo.”




