Por que ator de Jaspion rejeitou o sucesso e viveu como anônimo? Fã quase trouxe ator para o Brasil

Hikaru Kurosaki, intérprete do herói japonês da década de 1980, teve morte anunciada nesta quinta-feira (02/07)

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Cena de "O Fantástico Jaspion"
(Foto: TokuSatoOficial via X)

Hikaru Kurosaki, o eterno Jaspion, morreu sabendo que era um ídolo no Brasil. Entretanto, nunca veio ao país e decidiu se afastar dos holofotes após a série. Há três décadas, era professor de mergulho em Okinawa. Mas por que um dos maiores ícones da cultura pop japonesa, que teve sua morte divulgada nesta quinta-feira (02/07), simplesmente rejeitou a fama e optou pelo anonimato?

A TMC procurou um dos principais experts de Jaspion para entender os motivos da reclusão de Kurosaki. O cantor e jornalista Ricardo Cruz, fã do herói há mais de 35 anos, lançou em 2024 “O Fantástico Jaspion – Guia Visual Definitivo” (Editora Mozu), com imagens e informações inéditas sobre a série que explodiu no Brasil no final da década de 1980. Ele viajou ao Japão com a missão de entrevistar o protagonista, mesmo sabendo que seria quase impossível.

“Começamos a produção do livro já sabendo que Hikaru Kurosaki era um cara recluso, não fazia aparições públicas, declarações, estava muito isolado em Okinawa. Óbvio que era nossa missão ir atrás dele, mas eu já sabia que não ia dar certo, sendo bem sincero. Até mandei um e-mail para ele, mas não respondeu. Tentamos por duas vias diferentes, com dois dublês veteranos da época do Japan Action Club, que falaram com ele, mas recusou”, relembra Ricardo Cruz.

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Japan Action Club é a chave para explicar o “sumiço” de Jaspion. Kurosaki integrou a escola de dublês de artes marciais e fez figurações em tokusatsu (gênero de séries de heróis japoneses) até ser escalado como protagonista de “O Fantástico Jaspion”, em 1985. Após um grave incidente com um dos atores (que teria ficado paraplégico em uma filmagem arriscada), Kurosaki exigiu melhores condições de trabalho e proteção aos dublês para o chefe da empresa, Sonny Chiba (famoso no Ocidente por ter interpretado Hattori Hanzo na franquia “Kill Bill”). A briga entre patrão e funcionário culminou no afastamento do intérprete de Jaspion da TV e da carreira artística.

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O afastamento de Kurosaki também se deve à morte da esposa, Yuko Asuka, em dezembro de 2011. Longe das câmeras, encontrou prazer no mar ao se tornar guia e instrutor de mergulho. Por ser muito famoso no Brasil, teorias da conspiração davam conta de que um casal de brasileiros teria “traumatizado” o ex-ator, mas o boato inventado por um comediante é falso. Ele conhecia o sucesso de Jaspion no nosso país e quase veio ao primeiro “Anime Friends” a convite de Ricardo Cruz, um dos organizadores do evento.

“Conversei com ele por telefone em 2003, na época do primeiro ‘Anime Friends’, e ele foi super simpático, solícito, contou histórias da época, falou do cabelo armado que ele tinha, mas como o evento era em julho, no verão japonês, o mergulho estava em alta temporada e ele não pôde deixar o Japão para vir para o Brasil. Ele estava alegre, querendo vir para celebrar o Jaspion com os brasileiros”, recorda o cantor e fã.

Trajetória de vida

Nascido em 31 de janeiro de 1962, em Sakai, na província de Osaka, Kurosaki iniciou sua trajetória no entretenimento em 1978 como dublê da lendária Japan Action Club (JAC), fundada por Sonny Chiba.

Antes de assumir a armadura metalizada do Tarzan Galáctico, ele refinou suas habilidades marciais e cênicas participando de grandes produções da Toei Company, tais como: Spider-Man (1978), Battle Fever J (1979), Denshi Sentai Denziman (1980) e Choudenshi Bioman (1984).

Em 1985, veio o papel que mudaria sua vida e a história da cultura pop internacional. Como Jaspion, Kurosaki entregou uma atuação enérgica, carismática e repleta de fisicalidade, definindo o padrão para os heróis do gênero Metal Hero.

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Um fenômeno inigualável no Brasil

Se no Japão a produção teve uma recepção moderada, no Brasil ela se transformou em uma verdadeira febre cultural a partir do final da década de 1980, quando foi exibida pela extinta Rede Manchete.

Graças ao estrondoso sucesso da série, Hikaru Kurosaki consolidou-se como o artista japonês mais popular e querido entre os fãs de tokusatsu no país, abrindo as portas para a vinda de dezenas de outras produções nipônicas para a televisão brasileira. Seu rosto e o herói que defendeu tornaram-se símbolos nostálgicos de toda uma geração.

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