Erling Haaland balançou as redes em quatro oportunidades ao longo das duas primeiras partidas do Grupo I da Copa do Mundo. Mas os hábitos alimentares e o sono do atacante tornaram-se tema tão debatido quanto seu desempenho em campo.
No documentário ‘Haaland: A Grande Decisão’, produzido pelo serviço de streaming Viaplay, o jogador revelou parte de sua rotina. A filosofia central é dormir bem, priorizar alimentos de qualidade e evitar ultraprocessados. Para avaliar cada um desses hábitos, o g1 consultou cinco profissionais de saúde: três nutricionistas, um endocrinologista e um cardiologista especializado em medicina do esporte.
Leia mais: Haaland chama Vini Jr para recriar cena de “As Branquelas” após meme viralizar
6 mil calorias por dia: faz sentido?
Segundo o documentário, Haaland consome cerca de 6 mil kcal diariamente. Com 1,95 m e entre 88 kg e 94 kg, o metabolismo basal dele é estimado, provavelmente, entre 2.200 e 2.500 kcal por dia, mas essa estimativa se baseia apenas em altura e peso, sem exames mais precisos.
Segundo os especialistas consultados pelo g1, o consumo de 6 mil calorias diárias não é um valor fixo: ele precisa ser ajustado de acordo com a intensidade dos treinos e as metas específicas de cada atleta.
Fígado bovino: rico em nutrientes, mas com limite
A dieta de Haaland contempla fígado e coração bovinos. Esses alimentos, segundo especialistas ouvidos pelo g1, são fontes ricas em proteína, ferro, selênio, zinco e vitaminas do complexo B.
O principal ponto de atenção recai sobre a vitamina A. Em 100 gramas de fígado bovino, a concentração do nutriente pode superar entre cinco a dez vezes a dose diária recomendada. No caso do fígado de frango, uma única porção já representa quase o dobro do limite aconselhado.
Por isso, os especialistas indicam consumo semanal, em porções moderadas. Comer fígado todo dia não é recomendado.
Leite cru: risco sem benefício comprovado
Um dos hábitos mais polêmicos de Haaland é o consumo de leite cru, não pasteurizado. Nesse ponto, os cinco especialistas ouvidos pelo g1 foram diretos: não há evidências científicas robustas de que o leite cru ofereça vantagem nutricional sobre o pasteurizado.
Outro alerta diz respeito ao leite não processado, cujo consumo está associado a infecções causadas por agentes como Salmonella, Escherichia coli, Campylobacter e Listeria. Esse risco independe da procedência do produto.
A crença de que alimentos “naturais” ou “locais” contribuem para a melhora do desempenho esportivo também não tem sustentação isolada na literatura científica, conforme apontaram os especialistas.
Leia mais: Álbum da Copa 2026: veja quanto custa atualizar com as novas figurinhas
Sono: o que funciona e o que preocupa
Haaland busca receber luz solar assim que acorda e utiliza óculos bloqueadores de luz azul durante a noite. Do ponto de vista da ciência do sono, essa combinação — estímulo luminoso natural pela manhã e redução de luz artificial à noite — de fato contribui para a regulação do relógio biológico.
A fita adesiva usada para manter a boca fechada durante o sono é outro hábito que gera ressalvas. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a prática ainda não conta com evidências sólidas em estudos controlados e representa um perigo particular para pessoas com apneia do sono sem diagnóstico, já que pode comprometer a respiração diante de qualquer obstrução das vias aéreas.




