Gustavo Gómez terá neste sábado (04/07) a oportunidade de alcançar um feito que nem o lendário Carlos Gamarra conseguiu na Copa do Mundo. Capitão e principal referência da seleção paraguaia, o zagueiro tentará conduzir a Albirroja à classificação diante da França, nas oitavas de final do Mundial de 2026, quebrando um tabu que resiste desde 1998.
Há 28 anos, Gamarra protagonizou uma das atuações defensivas mais marcantes da história das Copas, mas viu o sonho acabar de forma dramática. O Paraguai segurou o empate por quase toda a partida contra a anfitriã França, até sofrer o histórico Gol de Ouro de Laurent Blanc, aos 114 minutos da prorrogação, sendo eliminado por 1 a 0.
Aquele confronto transformou Gamarra em símbolo da defesa paraguaia. Ele disputou toda a Copa de 1998 sem cometer uma única falta, mesmo marcando atacantes como Thierry Henry, David Trezeguet e Raúl. Contra a França, ainda atuou boa parte da partida com o ombro deslocado, recusando substituição e mantendo o alto nível de atuação.
Agora, a responsabilidade está nos ombros de Gustavo Gómez. O defensor do Palmeiras chega como líder técnico e capitão de uma seleção que voltou a disputar um Mundial após 16 anos de ausência e que faz uma campanha surpreendente.
O Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis na fase anterior, com Gómez convertendo uma das cobranças, e construiu sua trajetória apoiado justamente na força defensiva, apesar da goleada sofrida na estreia (4 a 1 para os Estados Unidos). A equipe lidera o Mundial em desarmes e afastamentos, enquanto o zagueiro tem sido um dos destaques individuais da competição, acumulando elevado número de cortes, eficiência nos duelos e nenhum drible sofrido até as oitavas.
Além da segurança na marcação, Gómez também representa a continuidade da tradição defensiva paraguaia, construída por nomes como Gamarra, Celso Ayala, Francisco Arce e José Luis Chilavert. Sua liderança dentro de campo e experiência em decisões fazem dele a principal esperança para enfrentar uma das favoritas ao título.
A missão, porém, será ainda mais complicada. A França chega embalada pelo melhor ataque da Copa, com 13 gols marcados em quatro partidas e Kylian Mbappé como artilheiro do torneio, enquanto o Paraguai aposta novamente em organização defensiva, intensidade na marcação e contra-ataques para tentar surpreender.
Ídolos no futebol paulista
A comparação entre os dois ganha ainda mais força pela idolatria que ambos construíram no futebol paulista. Gamarra tornou-se um dos maiores ídolos da história recente do Corinthians ao liderar a defesa na conquista do Campeonato Brasileiro de 1998 e do Campeonato Paulista de 1999. Com técnica refinada, excelente posicionamento e raríssima necessidade de recorrer às faltas, o paraguaio conquistou a torcida alvinegra e até hoje é lembrado como um dos melhores zagueiros que vestiram a camisa do clube.
Gustavo Gómez, por sua vez, alcançou status semelhante no Palmeiras. Capitão da equipe, o defensor transformou-se em um dos maiores símbolos da era mais vitoriosa da história alviverde recente, acumulando títulos nacionais e continentais e tornando-se referência de liderança, regularidade e poder de decisão. Assim como Gamarra no Corinthians, Gómez é tratado pela torcida palmeirense como um dos grandes estrangeiros que já defenderam o clube.
Agora, o zagueiro palmeirense tenta escrever pela seleção paraguaia um capítulo que escapou justamente ao maior ídolo paraguaio da história do Corinthians: eliminar a França em uma Copa do Mundo e colocar a Albirroja nas quartas de final pela primeira vez. Essa classificação eternizaria Gómez não apenas entre os ídolos do Palmeiras, mas também ao lado de Gamarra no panteão do futebol paraguaio.
Leia mais: Gustavo Gómez exalta união após Paraguai superar Alemanha nos pênaltis




