Felipe Bueno
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Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

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“Selvagem e sem tática”: até quando o futebol africano vai ser diminuído?

Discurso de Schweinsteiger expõe o preconceito que sabota o continente

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Jogadores egípcios comemoram a vitória na disputa de pênaltis, garantindo a classificação do Egito para as oitavas de final da Copa do Mundo. (Foto: Reuters/Maria Lysaker)

A chegada das oitavas de final da Copa traz de volta uma discussão que ultrapassa a tática e a técnica: qual é o limite das seleções africanas, especialmente as subsaarianas?

Dias atrás, o ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger, campeão em 2014 e hoje comentarista esportivo, foi alvo de críticas nas redes sociais por ter chamado o futebol africano de “selvagem”, “imprevisível” e “pouco tático”.

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O velho drama se repete a cada quatro anos, e faz bastante tempo: o talento e a força naturais dos jogadores africanos seriam subjugados pela alegada irresponsabilidade técnica e tática deles.

Com isso, as seleções em questão se limitariam a atrair o carinho do público e da imprensa, justamente porque são cativantes, folclóricas e extravagantes, mas sem trazer riscos reais para as equipes “maiores”, como se cada seleção africana já desde o início fosse destinada a ser eliminada em algum momento  à medida que a disputa avança.

A discussão fica mais séria nos anos noventa: Camarões vence a Argentina na abertura da Copa da Itália e chega às quartas-de-final; a Nigéria vai até as oitavas, em 1994 e 1998. A partir dos anos 2000 aparecem outros destaques; a Copa, porém, já não é a mesma: mais vagas são abertas, num processo que envolve tanto critérios técnicos como políticos, numa estratégia de manutenção de poder por parte da FIFA, que precisa dividir para conquistar.

A História se repete em 2026: nove seleções africanas passaram para a nova “segunda fase”, a dos dezesseis avos de final. Apenas duas sobreviveram, Marrocos e Egito, ambos países com situações geográficas, históricas e raciais muito diferentes das outras sete que caíram: Argélia, Senegal, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, África do Sul, Cabo Verde e Gana.

A polêmica vai se silenciar nos próximos dias. Os países africanos subsaarianos encaram novamente seus próprios problemas. A RD do Congo volta suas energias para o conflito civil interno, com milhares de pessoas deslocadas e feridas. Além do ebola, numa situação considerada emergência de saúde pública pela OMS.

África do Sul e Gana retornarão à instabilidade política, Cabo Verde e Costa do Marfim tentarão reduzir a pesada dívida pública, enquanto Senegal luta com altos níveis de desemprego. Para o resto do mundo, restarão apenas as coloridas imagens da breve alegria dos torcedores nas arquibancadas.

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