O ex-secretário de estado de Polícia Civil, Marcus Amim, e o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, estão entre os alvos da ação da Polícia Federal nesta terça-feira (7). Na sexta fase da Operação Unha e Carne, a corporação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro que utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio e contava com a participação de agentes públicos.
Segundo fontes ouvidas pela TMC, outros agentes da ativa da Polícia Civil também estariam entre os alvos. A reportagem aguarda posicionamento da instituição.
Os agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Saiba quem são os alvos:
Marcio Canella
Nascido em Duque de Caxias e criado no Morro do Malhapão, no Parque Fluminense, em Belford Roxo, Márcio Canella começou a trabalhar como camelô aos 12 anos, antes de dar início a sua trajetória pública. Além de ter sido secretário de Serviços Públicos, Canella foi eleito em 2012 como vereador da cidade da Baixada Fluminense como o mais votado no pleito. De lá pra cá, Márcio se tornou deputado da Assembleia Legislativa, onde votou em Domingos Brazão para nomeação como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e pela revogação da prisão de parlamentares denunciados na Operação Cadeia Velha. Além da carreira na Alerj, Márcio Canella foi vice-prefeito de Belford Roxo e se tornou nome importante na política da região, alcançando o cargo de prefeito do município em 2024 no primeiro turno, em oposição ao grupo do então prefeito Waguinho, antigo aliado político. No início de abril de 2026, Canella renunciou ao comando da Prefeitura para se tornar pré-candidato ao Senado Federal, sendo aliado do senador Flávio Bolsonaro e de Douglas Ruas, presidente da Alerj e pré-candidato ao Governo do Rio.
Marcus Amim
Com mais de 20 anos de carreira na instituição, Marcus Amim foi nomeado como secretário de estado de Polícia Civil em outubro de 2023. À época, o nome dele foi escolhido com apoio do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que já foi alvo da Polícia Federal em diferentes ocasiões. Para ser nomeado, a Alerj precisou aprovar um projeto de lei que permitia delegados com menos de 15 anos na função assumirem cargos da alta cúpula da corporação. Antes de comandar a pasta, Amim também foi presidente do Detran-RJ e chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes e a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos. Defensor de uma atuação mais enérgica contra criminosos armados, o delegado foi substituído por Felipe Curi como secretário da Polícia Civil em 2024 após descontentamentos do ex-governador com a ausência dele em reuniões de segurança. Em dezembro de 2025, Amim foi exonerado do cargo de coordenador de segurança da Assembleia Legislativa.
A reportagem tenta contato com as defesas dos citados.




