O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, desencadeou nesta terça-feira (07/07) a Operação Ar Frio. As diligências tiveram como alvo dois ex-funcionários da Prefeitura de São Paulo, apontados como suspeitos de envolvimento em corrupção, lavagem de capitais e fraude em licitações.
Ambos os ex-servidores tiveram seus vínculos com a administração municipal encerrados em março de 2026. Um deles exercia funções na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, enquanto o segundo respondia pela coordenação do setor de licitações dentro da Secretaria Municipal das Subprefeituras.
Conforme apurado pelo Gaeco, os investigados teriam manipulado processos licitatórios — disputas públicas destinadas à contratação de obras e serviços — para beneficiar empresas e grupos escolhidos antecipadamente de forma combinada. Em contrapartida, teriam recebido vantagens indevidas. Na prática, isso significa que contratos públicos poderiam ter sido direcionados a empresas previamente selecionadas, em detrimento da concorrência aberta exigida por lei.
As irregularidades teriam ocorrido entre 2022 e 2025, conforme apuração do MP. O Ministério Público recebeu a denúncia sobre o caso em fevereiro.
O Gaeco identificou ainda que o patrimônio acumulado pelos investigados seria desproporcional aos rendimentos por eles declarados. A investigação indica que propriedades, automóveis e outros patrimônios teriam sido registrados em nome de terceiros — as chamadas interpostas pessoas —, recurso utilizado para dissimular a procedência dos valores obtidos.
As buscas foram realizadas em endereços ligados aos investigados na capital e na região metropolitana de São Paulo. Os celulares dos alvos foram apreendidos durante a operação, segundo o Gaeco.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura e atualizará a matéria assim que obtiver um retorno.




