Morreu hoje o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica. O escritor deixa um legado inestimável para a teledramaturgia nacional. Para homenagear sua memória, vale revisitar a trajetória do roteirista por trás de algumas das novelas mais lembradas da TV brasileira.
1 – A carreira dele atravessou décadas e emissoras. Começou a se consolidar na TV Bandeirantes com Os Imigrantes (1981), trama com 459 capítulos que chegou a ser exibida até em Portugal. Depois, migrou para a TV Globo e não parou mais de fazer história.
Das fazendas ao Rio São Francisco
2 – Pantanal, exibida em 1990 pela extinta TV Manchete, é talvez a obra mais associada ao nome dele. A versão de 2022 ganhou nova vida nas mãos do neto Bruno Luperi, que manteve a essência da história original e atualizou os temas em 30 anos.
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3 – Em 1993, Renascer apresentou ao público o fazendeiro José Inocêncio, de Ilhéus, na Bahia. A novela foi exibida em duas fases e deixou um legado inesperado: o ator José Wilker, que vivia Coronel Belarmino, esqueceu o texto durante as gravações e improvisou o bordão “É justo, é muito justo, é justíssimo”. A frase entrou para a história da TV.
4 – Três anos depois, O Rei do Gado (1996) trouxe o debate sobre a reforma agrária e a luta pela posse de terras. A novela, com Antonio Fagundes e Patrícia Pillar no elenco, concorreu com 1.525 produções de 62 países no San Francisco International Film Festival, saindo de lá com um certificado de honra ao mérito.
Estreias, remakes e uma tragédia
5 – O roteirista também foi responsável por revelar grandes talentos. Em Cabocla (1979), Glória Pires fez sua estreia como protagonista. Nos bastidores, ela e Fábio Jr., que vivia seu par romântico na trama, acabaram se casando na vida real. A novela ganhou um aclamado remake em 2004, com Vanessa Giácomo e Daniel de Oliveira nos papéis principais.
6 – Sinhá Moça (1986) também voltou às telas 20 anos depois, em 2006. O remake foi a porta de entrada de Isis Valverde na TV, no papel de Ana do Véu. A atuação rendeu à atriz uma indicação ao Emmy Internacional. Na época, a adaptação já contava com o apoio das filhas do autor, Edmara Barbosa e Edilene Barbosa.
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7 – Velho Chico (2016) foi a última novela assinada por Benedito para o horário nobre. Indicada ao Emmy Internacional, a produção ficou marcada pela tragédia do falecimento do ator Domingos Montagner, que interpretava o protagonista Santo dos Anjos e morreu afogado no Rio São Francisco durante o período de gravações.
Italianos, imigração e prêmios
8 – Terra Nostra (1999) mergulhou profundamente na história da imigração italiana no Brasil, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, tornando-se um fenômeno de exportação internacional.
9 – O sucesso abriu caminho para Esperança (2002), que inicialmente seria uma continuação, mas virou uma obra própria. A trama acompanhou o amor dos italianos Toni e Maria na década de 1930, vividos por Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin. Com Esperança, Benedito Ruy Barbosa levou o Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Autor.
10 – Fechando a lista das suas dez produções mais emblemáticas está Meu Pedacinho de Chão, exibida originalmente em 1971 e que ganhou um remake lúdico e memorável em 2014, marcando a sensibilidade caipira e o tom de fábula que eram marcas registradas do autor.
Uma vida inteira dedicada às letras e uma lista de obras que moldaram a identidade cultural do Brasil e continuam vivas na memória do público. O país perde hoje um de seus maiores contadores de histórias.




