Vorcaro encomendou levantamento pessoal sobre CEO do Itaú, aponta PF

Ex-banqueiro solicitou a Thiago Miranda dados pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy; esquema incluía pagamentos de até R$ 2 mi a influenciadores

Por
Daniel Vorcaro
(Foto: Divulgação/Banco Master)

A Polícia Federal (PF) investiga o banqueiro Daniel Vorcaro pela suposta encomenda de um dossiê reunindo dados patrimoniais e pessoais sobre Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco desde 2021. As apurações integram a 10ª fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira (09/07), agentes executaram em Brasília dois mandados de busca e apreensão.

Segundo a PF, Vorcaro trocou mensagens com o empresário e publicitário Thiago Miranda pedindo um levantamento sobre Maluhy. Nas conversas obtidas pelos investigadores, Vorcaro escreveu: “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy”. O banqueiro acrescentou que o rival lhe estava causando problemas e pediu ajuda para reunir informações sobre ele.

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Miranda respondeu que cuidaria do assunto. Em outra mensagem, Miranda informou: “Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”.

Um documento com dados de identificação civil, CPF e informações patrimoniais de Maluhy e de sua esposa foi encontrado durante as investigações. Conforme o ministro Mendonça, o arquivo continha a identidade visual de uma empresa ligada a Miranda, “circunstância que sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial”.

Esquema de desinformação e aliciamento

De acordo com os investigadores, Thiago Miranda teria sido o principal responsável pela articulação de um esquema voltado ao recrutamento de jornalistas e influenciadores digitais.

O publicitário é apontado como o operador na contratação de agências encarregadas de estruturar campanhas de desinformação na mídia. Os acordos previam cláusulas de confidencialidade, e as propostas chegavam a R$ 2 milhões por postagens coordenadas.

O objetivo das publicações, conforme a PF, era questionar publicamente decisões de instituições como o Banco Central, em especial no contexto da liquidação do Banco Master. Na prática, isso significa que cidadãos comuns podiam ter sido expostos a conteúdo patrocinado sem saber que havia interesse financeiro por trás das postagens.

A operação Compliance Zero investiga possível atuação de um grupo dedicado à intimidação de jornalistas e à disseminação de desinformação. A 10ª fase, deflagrada nesta quinta-feira (09/07), tem Thiago Miranda como alvo central.

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