Alerta de segurança do Serviço Secreto faz Trump deixar Turquia em versão antiga do Air Force One

Boeing 747-8 doado pelo Catar não teria sistemas de detecção e evasão de mísseis do avião anterior; atualização completa custaria US$ 1 bilhão

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega para participar de jantar oferecido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e pela primeira-dama Brigitte Macron, em comemoração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris
(Foto: Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters.)

O Serviço Secreto dos EUA aconselhou o presidente Donald Trump a deixar a Turquia a bordo da versão antiga do Air Force One, e não no Boeing 747-8 doado pelo Emirado do Catar que vinha sendo usado como aeronave presidencial. A informação foi publicada pelo New York Times, com base em integrantes do governo e analistas.

A razão, segundo o jornal, é que o novo avião não teria as mesmas capacidades defensivas do antecessor. Imagens obtidas pela Associated Press revelam a ausência, na aeronave, de equipamentos de detecção e neutralização de mísseis que existiam no modelo anterior. As mesmas imagens também deixam dúvidas sobre se a fiação interna foi blindada contra pulsos eletromagnéticos.

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A troca ocorreu em um momento de tensão. Trump participava de uma reunião de líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na capital turca quando os EUA realizavam ataques contra o Irã, a menos de 2 mil km dali. O próprio presidente declarou aos jornalistas a bordo que era o alvo número 1 do Irã. Na noite de quarta-feira (09/07), o Air Force One mais antigo aterrissou em Mildenhall, base aérea situada no Reino Unido.

O avião do Catar e suas limitações

O Boeing 747-8 havia sido incorporado à frota do Emirado do Catar em 2012. Em 2025, a Casa Branca aceitou a oferta da aeronave em caráter temporário. As adaptações necessárias para cumprir os requisitos de segurança demandaram aproximadamente um ano.

Segundo o New York Times, especialistas da indústria aeroespacial e do Pentágono afirmaram que transformar o avião de forma integral, nos mesmos moldes do Air Force One original, demandaria até dois anos de trabalho e US$ 1 bilhão — valor mais do que o dobro do que o governo Trump diz ter investido na adaptação feita.

Andrew Hunter, que supervisionou o programa do Air Force One na gestão de Joe Biden, disse ao New York Times que o prazo disponível permitia apenas modernizar os sistemas de comunicação da aeronave, sem espaço para intervenções estruturais de maior porte. Ele acrescentou que uma reforma integral, nos padrões do Air Force One, necessariamente envolve esse tipo de modificação estrutural.

A versão da Casa Branca

O diretor de Comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, contestou as críticas em comunicado. Ele descreveu o Boeing 747-8 como uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança de alto nível que garantem a segurança do presidente e de sua equipe. Cheung também afirmou que o governo usa todas as ferramentas à disposição — incluindo distração e desinformação — para lidar com ameaças ao presidente.

Trump, por sua vez, publicou no Truth Social que trocou de aeronave pelos velhos tempos, sem detalhar os motivos da decisão.

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