A nova Doutrina Monroe? Entenda o plano dos EUA para recuperar influência na América Latina

Governo Trump aposta em uma nova estratégia para ampliar a influência dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, fortalecer aliados e reduzir o avanço da China na região

Por
Um rebocador conduz uma balsa carregada de fogos de artifício pelo rio Hudson para o espetáculo pirotécnico realizado durante as celebrações do Dia da Independência, quando os Estados Unidos comemoram o 250º aniversário da independência, em Nova York, EUA, em 04/07/2026.
(Foto: Brendan McDermid/Reuters)

A América Latina voltou ao centro da política externa dos Estados Unidos.

Em discurso realizado no Peru, o subsesecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, apresentou a chamada “Doutrina Donroe” — um trocadilho entre o sobrenome de Donald Trump e a histórica Doutrina Monroe. A proposta busca reafirmar a liderança americana no hemisério ocidental diante do avanço da influência chinesa e do fortalecimento do crime organizado transnacional.

A estratégia marca uma mudança importante na política externa do segundo governo Trump: em vez de concentrar esforços apenas na Europa e no Indo-Pacífico, Washington quer transformar novamente a América Latina em prioridade geopolítica.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

O que foi a Doutrina Monroe?

A Doutrina Monroe foi anunciada em 1823 pelo presidente americano James Monroe.

Seu princípio era simples: os Estados Unidos consideravam o continente americano sua área de interesse estratégico e se opunham à interferência das potências europeias nas Américas.

Ao longo dos séculos XIX e XX, essa doutrina serviu de justificativa para diversas intervenções políticas, econômicas e militares dos Estados Unidos na região, motivo pelo qual ainda hoje desperta críticas em vários países latino-americanos.

O que muda com a “Doutrina Donroe”?

Segundo o governo americano, o objetivo agora não é repetir o modelo intervencionista do passado, mas construir uma rede de cooperação em segurança com governos aliados.

Os principais pilares anunciados são:

  • combate conjunto ao narcotráfico;
  • endurecimento contra organizações criminosas;
  • maior integração militar entre os países parceiros;
  • incentivo ao aumento dos investimentos em Defesa;
  • contenção da influência econômica e estratégica da China na América Latina.

Durante o encontro realizado em Cusco, no Peru, Elbridge Colby afirmou que os Estados Unidos desejam que os países da região sejam capazes de proteger seus próprios interesses, mas também pediu que governos latino-americanos reforcem seus gastos com defesa e protejam ativos estratégicos da influência de potências externas.

Por que isso acontece agora?

Na avaliação da Casa Branca, três fatores mudaram o cenário regional.

O primeiro é o avanço da China, que se tornou um dos principais parceiros comerciais de diversos países latino-americanos e ampliou investimentos em infraestrutura, mineração, energia e portos.

O segundo é a preocupação crescente dos Estados Unidos com o narcotráfico e a imigração ilegal.

O terceiro é a mudança política na região. Após anos marcados pela chamada “onda rosa”, com predominância de governos de esquerda, vários países passaram a eleger líderes conservadores ou mais alinhados à agenda de Donald Trump, facilitando uma aproximação diplomática.

A China é o principal alvo estratégico

Embora o discurso oficial destaque segurança e combate ao crime organizado, analistas apontam que a disputa com a China é um dos principais motores da nova estratégia americana.

Nos últimos anos, Pequim expandiu fortemente sua presença econômica na América Latina, financiando obras de infraestrutura, ampliando investimentos em energia, mineração e tecnologia e fortalecendo relações comerciais com diversos governos da região.

Para Washington, reduzir essa influência passou a ser uma prioridade estratégica.

O que isso pode significar para a América Latina?

Caso avance, a “Doutrina Donroe” tende a aumentar a cooperação militar entre Estados Unidos e países aliados, intensificar operações contra o narcotráfico e ampliar a disputa geopolítica entre Washington e Pequim pelo continente.

Ao mesmo tempo, a iniciativa reacende um antigo debate na região: até que ponto a presença americana representa uma parceria estratégica ou uma retomada do intervencionismo que marcou parte da história latino-americana.

Essa discussão deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, à medida que os Estados Unidos busquem transformar a nova doutrina em ações concretas de política externa.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05