Flávio Bolsonaro esteve em Fortaleza nesta sexta-feira (10/07) para um ato político que oficializou a entrada do deputado estadual Alcides Fernandes (PL) na corrida pelo Senado. O evento voltou a evidenciar as divisões internas do partido em relação a Michelle Bolsonaro, e a ausência de uma de suas aliadas no palco foi notada.
Durante o ato, o senador sinalizou preferência por Alcides Fernandes para a vaga ao Senado no Ceará, descrevendo-o como o melhor nome para a disputa. Flávio declarou: “Quero ver esse Alcides lá no Senado Federal para a gente colocar as instituições no seu devido lugar mais uma vez, para gente cessar com as perseguições”.
Pai do deputado federal André Fernandes (PL), Alcides viu o filho subir ao palco e discursar no evento. André recordou que sua trajetória política — com mandatos conquistados em 2018 como deputado estadual e em 2022 como deputado federal — foi construída com o suporte de Jair Bolsonaro.
Em determinado momento, afirmou: “Que saudade eu tenho do nosso presidente, eu fico ali olhando o rosto dele. Nosso eterno presidente, nosso galego. Não é de ninguém individual, não, é nosso galego”.
A expressão foi notada porque Michelle Bolsonaro havia usado o termo “meu galego” em vídeos de junho nos quais criticava a estratégia dos filhos e a aproximação do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, e o uso foi interpretado como uma alfinetada para a ex-primeira-dama.
Aliada de Michelle em Lisboa
A vereadora Priscila Costa, aliada de Michelle e também pré-candidata ao Senado pelo Ceará, ficou de fora do ato. Na quinta-feira (09/07), ela havia viajado a Lisboa para integrar um seminário voltado a mulheres conservadoras.
Nas redes sociais, Priscila escreveu: “Já celebrei ao telefone com a Michelle Bolsonaro a alegria de participar do evento em Portugal ‘Mulheres Conservadoras’, reunindo diversas mulheres parlamentares de toda a Europa”. A vereadora também manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e defendeu a reconciliação do grupo no Ceará, declarando: “Não vou alimentar nenhum tipo de conflito.”
A falta de Priscila no evento se insere num quadro de conflito explícito dentro do PL. A ruptura entre Eduardo, Carlos, Flávio e Jair Renan — os filhos de Bolsonaro — e Michelle teve início em dezembro, quando ela criticou abertamente a aliança partidária com Ciro Gomes no Ceará, gerando respostas dos filhos nas redes sociais. Na sequência, Michelle abriu mão do comando do PL Mulher e, conforme apurado, avalia não entrar na disputa pelo Senado no Distrito Federal.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou publicamente que nunca desrespeitou mulheres e que jamais o faria com a esposa do próprio pai.
No Ceará, ao menos três nomes já se posicionam para a vaga no Senado. Alcides Fernandes divide o campo com o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) e com Priscila Costa, ligada a Michelle. O governador Elmano de Freitas (PT) foi criticado durante o ato.
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