Dandre Jermaine Grayson encontra-se em prisão preventiva desde (05/07), acusado de espancar Oliver, seu filho de 3 anos, resultando na morte do menino em Viamão, no Rio Grande do Sul. Mayanna Angelina Rodgers, mãe das crianças, foi igualmente detida. De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, em entrevista ao UOL, os quatro filhos do casal, com 1, 5, 7 e 9 anos, vinham sendo submetidos a violência e maus-tratos por um período mínimo de 8 anos.
Oliver chegou à unidade de saúde com fêmur fraturado, crânio afundado e lesões no tórax. A delegada descreveu as marcas como muito mais graves do que se esperava no início. “No primeiro momento, acreditava-se que ele teria sido vítima de socos e uma batida na cabeça, mas eram lesões brutais, com dimensões muito maiores do que se imaginou no primeiro momento”, afirmou Medeiros.
Crianças escondiam marcas com roupas de manga comprida
As crianças usavam roupas de mangas compridas para cobrir as lesões. Elas também eram orientadas pelos pais a dizer que os machucados vinham de quedas, conforme apurou a corporação policial gaúcha. Após a morte de Oliver, os três irmãos passaram por perícia física. Durante o exame, uma das crianças revelou que a mãe também agredia. “Foi percebido que elas não queriam mostrar o corpo”, disse a delegada.
Os três irmãos sobreviventes estão sob guarda provisória do Conselho Tutelar de Porto Alegre. A avaliação psicológica ainda não foi realizada, segundo Medeiros: “Já passaram pela perícia física, agora vão passar pela psicológica”.
O filho mais velho do casal sofre agressões desde bebê, de acordo com a delegada.
O papel da mãe na investigação
Mayanna Rodgers é investigada por indícios de agressão. Paralelamente, a Polícia Civil apura se ela própria sofria abusos perpetrados pelo marido. A delegada explicou a contradição: “Então, ao mesmo tempo que ela é suspeita, estamos investigando se ela era vítima”.
Na casa do casal, havia frases escritas sobre submissão feminina. Para Medeiros, isso reforça a hipótese de violência doméstica. “Há fortes indícios de que ela tenha vivido um contexto de violência. Na casa, havia frases escritas sobre a submissão feminina. Isso é mais um indício que pode vir a corroborar a violência doméstica por ela alegada”, afirmou. A delegada ressaltou ainda que Mayanna nunca buscou ajuda: “Mesmo que seja considerada vítima, ela se omitiu, nunca falou com ninguém no sentido de procurar ajuda”.
Sobre a responsabilidade de Mayanna pela morte de Oliver, a delegada foi enfática: “Ela é conivente com o homicídio do Oliver quando ela permite que o resultado morte aconteça”.
Família vivia de doações; pai dizia ser missionário
A família vivia em contexto de pobreza, em uma casa precária. “Era só uma cortina dividindo os quartos, não teria como ela [a mãe] não ter ouvido as agressões. Ela foi, no mínimo, conivente”, disse a delegada.
O sustento vinha de doações. Dandre Grayson afirmou ser missionário, mas nenhuma igreja confirmou vínculo com ele, segundo a delegada. “Ele veio com a informação de que seria missionário, mas nenhuma igreja confirmou o vínculo com ele até o momento”, disse Medeiros.
Sobre a ligação com uma igreja caseira, a delegada acrescentou: “Depois, chegamos à informação de que ele seria ligado a uma igreja caseira da família de Mayanna, mas como frequentador.”
Antes de chegarem a Viamão, o casal teria passado por São Paulo e Santa Catarina. “Eles disseram que gostaram da cidade [de Viamão], mas não citam uma motivação específica para terem vindo”, disse a delegada.
A Polícia Civil do RS encaminhou ofício ao consulado norte-americano comunicando a prisão de Grayson. Ofícios adicionais foram remetidos a conselhos tutelares e hospitais situados nos estados por onde o casal teria transitado, com o objetivo de identificar eventuais outros casos.




