O mercado financeiro viveu um dia de forte apreensão nesta quarta-feira (15/07) com a iminência do anúncio pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), sob o comando do negociador-chefe Jamieson Greer, encaminhou a recomendação oficial de aplicação da sobretaxa baseada na investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A decisão, aguardada para o decorrer do dia, manteve os investidores domésticos em posição de total defensiva, mitigando o impacto positivo de dados de desinflação global vindos do Índice de Preços ao Produtor (PPI) americano, que recuou 0,3% em junho.
O Ibovespa encerrou a sessão regular desta quarta-feira em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, registrando uma perda de 630,20npontos. O índice abriu em leve baixa e não conseguiu firmar trajetória de recuperação, pressionado pelos grandes bancos e pelo varejo, além do dado do IBGE que apontou recuo de 0,4% no volume de serviços de maio. O índice de volatilidade (VIX) subiu de forma contida, com variação positiva de 0,54%, aos 18,52 pontos.
No ambiente corporativo, as ações da Ânima Holding (ANIM3) desabaram 32,06%, cotadas a R$ 1,95, após o anúncio da aquisição da FMU por R$ 410 milhões. A transação gerou ceticismo em grandes instituições devido ao preço pago e ao aumento da alavancagem financeira da companhia para 2,7 vezes a relação dívida líquida/Ebitda. Em contrapartida, a Vale (VALE3) avançou 0,55% após a eleição provisória de Wilfred Theodoor Bruijn para o comando do conselho de administração. A Petrobras (PETR4) sustentou estabilidade (-0,02%) amparada pelo petróleo no exterior, enquanto a B3 (B3SA3) destacou-se no campo positivo com ganho de 2,87%.
Dólar
O dólar comercial fechou o dia em estabilidade quase absoluta, com oscilação positiva de 0,01%, cotado a R$ 5,078 na venda. A moeda norte-americana transitou em margens estreitas ao longo do pregão, estabelecendo a cotação mínima de R$ 5,058 e atingindo a máxima de R$ 5,088.
A dinâmica da divisa foi marcada por um forte cabo de guerra. O dado mais fraco do PPI nos Estados Unidos atuou para enfraquecer o dólar globalmente nas primeiras horas da manhã, empurrando as cotações para perto de R$ 5,05. Contudo, a proximidade do desfecho sobre as sanções de Donald Trump disparou ordens automáticas de hedge cambial e proteção de posições no mercado futuro por fundos institucionais, zerando as perdas do real e travando o câmbio nominal no patamar de R$ 5,07.
A retração do Ibovespa reflete a postura prudente do investidor institucional, que preferiu sacrificar prêmios de curto prazo a carregar posições expostas ao risco alfandegário.
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