Thomaz Rafael
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Mais jovem jornalista credenciado na Copa de 94, Thomaz Rafael consolidou o futebol no FM ao lado de Eder Luiz. Com 25 anos de Transamérica TMC, soma coberturas de Copas do Mundo, Olimpíadas e Fórmula 1. Atualmente, demonstra sua versatilidade no comando do Link TMC, trazendo análise e experiência sobre os principais fatos do esporte e da atualidade.

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O que fica pra história da Copa de 2026?

Alguns dias antes da grande decisão, já é possível fazer uma varredura desta Copa. E apontar acertos e erros, além de destaques, surpresas e decepções.

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(Foto: Carlos Barria/Reuters)

Alguns dias antes da grande decisão, já é possível fazer uma varredura da vigésima-terceira Copa do Mundo da história. E apontar acertos e erros, além de destaques, surpresas e decepções.

Escrevo esse texto algumas horas antes do confronto entre Argentina e Inglaterra. Ainda surpreso com o atropelamento visto na outra semifinal. A França tentou de todas as maneiras, correu o tempo todo (especialmente atrás dos volantes e meias espanhóis), Mbappé buscou espaços e finalizações por todos os lados, mas nada deu certo. Muito mais por méritos do futebol avassalador de Rodri e cia. Só é estranho não ver os colegas brasileiros apontando falta de espírito de luta aos comandados de Deschamps, já que adoram usar o tema pra criticar a seleção brasileira… um lugar comum meio tosco em minha avaliação. E que de certa maneira teima em esconder o simples e cristalino fato de que não jogamos mais o melhor futebol do mundo. E que perder para Noruega, Croácia e outros antigos coadjuvantes da bola infelizmente não é mais o fim do mundo.

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Ainda assim, dava pra ter batido os noruegueses. Como dava pro nosso aclamado treinador ter trabalhado melhor. Mas isso é papo para um próximo texto. Ou alguns textos durante os próximos quatro anos. Ancelotti fica e agora terá mais tempo pra entender as engrenagens do futebol brasileiro. E poderá também ser ainda mais cobrado. Justo.

Voltando à Fúria, não dá pra falar do time de De La Fuente sem citar os talentosos Fabian Ruiz, Cubarsi, Pedro Porro, Oyarzabal e Cucurella, grandes destaques da equipe até a decisão. Yamal foi bem contra os franceses, mas é a estrela que menos brilhou até aqui no Mundial. Ao menos na comparação com Kane, Haaland, Messi e outros de quem se esperava a mais pura excelência. Resta saber se o menino de 19 anos deixou a parte boa para um grand finale… A ver.

Argentina, Holanda, Marrocos, Suíça, Brasil, Croácia e, com um razoável esforço de minha parte, Costa do Marfim, Alemanha e Bélgica, foram seleções competitivas em vários momentos e até flertaram com o bom futebol. Mas como só existe um Messi no planeta, apenas uma dessas equipes foi mais longe. A “escaloneta” não foi a mesma de 2018 até agora, mas Julian Alvarez, Enzo Fernandez e até os zagueiros hermanos mostraram poder de decisão nos momentos mais complicados. A confiança está lá em cima, bem diferente do sentimento derrotista que perseguiu nosso rival sulamericano por quase 30 anos entre 93 e 2021.

Entre as surpresas positivas, Cabo Verde foi protagonista, acompanhando a onda de bom futebol da maioria das seleções africanas (nove de dez representantes do continente passaram da primeira fase), contrastando com a porcaria de futebol dos times asiáticos. O Japão, que nos deu tanto trabalho, foi exceção; já a Coreia do Sul poderia ter tido melhor sorte, tendo jogado uma grande partida na derrota para os mexicanos. Mas na “hora h”, conseguiu a proeza de perder para a África do Sul.

Por outro lado, os anfitriões da Concacaf foram razoavelmente bem, mas os países da América Central patinaram… o que deixa claro pra mim que se a escolha do número de vagas se baseasse apenas em critérios técnicos – e não políticos -, a África poderia tranquilamente ganhar ao menos mais duas seleções em 2030, com asiáticos e a Concacaf tendo um representante a menos, cada um. No mínimo!

No mais, detestei a parada técnica, aprovei as novas regras e já lamento sem medo de errar que não veremos a bola correndo tanto na volta do Brasileirão. A ausência de cera na maioria das partidas foi uma das grandes conquistas da Fifa, além da presença de 48 seleções. Porém, subir para 64 aí já é outra história.

Poucos cartões amarelos e vermelhos foram aplicados e não vejo grande problema em relação a isso. Ao menos dentro de campo. Fora dele, os “cartões vermelhos” para a entrada de diversos profissionais em território americano foi a segunda maior bola fora do Mundial. Culpa muito mais de Trump do que da Fifa. Já o perdão para a expulsão do jogador americano podemos colocar na conta de Infantino.

E entre erros e acertos, a história da primeira Copa sediada por três países ficará também marcada pelo fantástico futebol da seleção francesa, apesar da eliminação contundente. Resta saber se o time será imortalizado como uma espécie de Hungria de 54 ou Brasil de 82.

Fica o registro também dos recordes batidos e da briga gol a gol entre Messi e Mbappe. E quem sabe, também de Harry Kane. Já estou com saudade… e contando os dias para 2030!!

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