Felipe Bueno
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Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

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As Malvinas são argentinas?

Faixa estendida por jogadores após vitória contra a Inglaterra recoloca a disputa no noticiário

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A pergunta do título tem, de cada lado do Oceano Atlântico, uma resposta clara, definida e diferente. Para os argentinos, não há dúvidas, são nuestras. Para os britânicos, as Malvinas nem têm esse nome: são as Falklands, cuja posse, inquestionavelmente, pertence à Coroa.

A questão voltou ao noticiário com a exibição de uma faixa por alguns jogadores da seleção após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra na semifinal da Copa. Na faixa lia-se Las Malvinas Son Argentinas.

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Vamos a um pouco de geografia: estamos falando de um arquipélago composto por duas ilhas principais e mais de 700 ilhas menores, numa área de cerca de 12 mil km, a menos de 500 km de distância do litoral da Argentina. Um lugar frio, cujas temperaturas não passam de 15 graus no verão, e quase deserto, com pouco mais de três mil habitantes, quase todos vivendo na capital Stanley (ou Puerto Argentino, dependendo da sua torcida).

Agora, um pouco de história: o arquipélago não tem registro de habitantes nativos. Os pioneiros europeus a pisar no local foram os britânicos, em 1690. Mas o primeiro assentamento foi francês, em 1764. Cedido posteriormente à Espanha, ele pode ser considerado o marco zero da disputa geopolítica que dura até hoje.

Com a independência da Argentina em relação à Coroa Espanhola, em 1816, o território passou a ser ocupado pelos sul-americanos até 1833, quando a Marinha Britânica expulsou os argentinos e tomou posse do local, sem questionamentos, até 1982.

A ditadura argentina comandada pelo general Leopoldo Galtieri, enfraquecida política e economicamente, deflagrou em abril daquele ano uma tentativa de ocupação: após 74 dias, com 649 integrantes mortos, as forças armadas sul-americanas reconheceram a derrota e as Malvinas seguiram sendo habitadas por uma população majoritariamente britânica, que em 2013 respondeu a um referendo com 99,8% de aprovação para a manutenção do status atual. Para a ONU, as Malvinas são um “Território Não-Autônomo” sob administração britânica, mas ao mesmo tempo o órgão admite que há uma disputa formal entre as duas nações.

A ilusão da posse das Malvinas nunca abandonou o imaginário de boa parte da sociedade argentina. De tempos em tempos, dependendo do tamanho da crise e dos interesses de momento, o tema sai do subterrâneo e volta a ser discutido nos cafés e no noticiário, motivado pelo governo ou pela sociedade civil.

Obviamente um jogo de Copa entre Argentina e Inglaterra não iria passar em branco. A Fifa se pronunciou oficialmente informando que seu Comitê Disciplinar Independente analisa o caso da faixa, que pode render punição esportiva e/ou financeira à AFA, a Associação de Futebol Argentino, uma vez que, segundo a autoridade máxima do futebol, política e esporte não podem se misturar.]

Mesmo que seja numa Copa disputada nos Estados Unidos de Donald Trump, como temos acompanhado desde o início.

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