A passagem de Didier Deschamps à frente da seleção da França chegou ao fim com um resultado amargo: 6 a 4 sofrido diante da Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo. À frente dos Bleus por 14 anos, desde 2012, o treinador deixou o cargo carregando um histórico de conquistas e finais, mas com um encerramento doloroso.
A partida resumiu bem as contradições do ciclo. A França foi a campo e levou um banho no primeiro tempo: 4 a 0 no intervalo. Deschamps fez quatro trocas na volta para o segundo tempo, entraram Upamecano, Digne, Dembélé e Barcola, enquanto Konaté, Theo Hernández, Cherki e Doué saíram.
A virada francesa foi fulminante. Entre o início e os 20 minutos do segundo tempo, a equipe converteu três gols e reduziu para 4 a 3. Mbappé foi responsável por dois deles, enquanto Barcola e Dembélé também marcaram. Com o placar em 4 a 3, Olise teve duas chances nítidas de empatar, mas as desperdiçou. Saka e Bellingham aproveitaram para ampliar e selar o 6 a 4 definitivo.
A despedida de um ciclo de 14 anos
Deschamps assumiu a responsabilidade pelo desastre do primeiro tempo. Em declaração após a partida, o treinador afirmou: “É uma derrota, mas estávamos perdendo por 4 a 0. Tivemos um desempenho desastroso no primeiro tempo. Reagimos explorando nossos pontos fortes. Tivemos duas chances de empatar em 4 a 4, mas precisávamos levar mais jogadores ao ataque. Esse é o tipo de futebol de que somos capazes, mas não o praticamos. A culpa é minha; claramente não fiz o que era necessário no primeiro tempo. No fim, a atuação acabou sendo digna, embora a derrota doa. Teria sido melhor terminar em terceiro”
Mas o técnico também fez questão de valorizar o grupo. “Existe um grupo com verdadeiras qualidades futebolísticas, jovens que ainda vão subir muitos degraus e material suficiente para conseguir grandes resultados”, disse Deschamps.
O que Deschamps deixa para trás
O legado de Deschamps é inegável. Sob sua gestão, a França ergueu a taça da Copa do Mundo de 2018 e da Liga das Nações de 2021, além de ter chegado à decisão da Eurocopa de 2016 e do Mundial de 2022. Quatro grandes finais em 14 anos representam um feito que muito poucos treinadores conseguem alcançar.
Ainda antes do apito inicial, Mbappé já havia prestado uma homenagem pública ao treinador. O capitão francês admitiu que o primeiro tempo deu a sensação de que Deschamps havia sido abandonado pela equipe, e lamentou que a França não tivesse proporcionado ao técnico uma despedida à altura do que ele representou.




