As imagens da capitã Michele desfalecida, deixando o prédio onde morava com o marido, o sargento Eduardo, no bairro Santa Cruz, região Nordeste de Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20), chocaram os vizinhos, mas sem tanta surpresa.
O empresário Dirceu Oliveira mora no prédio há mais de duas décadas e, há dois anos e meio, desde que o casal de militares se mudou para o local, conta que discussões eram parte da rotina. “Brigas com xingamentos muito fortes eram constantes. Pelo fato de eles serem autoridades policiais, a vizinhança ficava bem coagida. Diz que houve essa situação, dela falar que cada um cuidava da sua vida, mas hoje eu entendo que ela o protegia, preocupada que ele não entrasse em conflito com algum vizinho”, reflete.
A advertência teria sido feita pela capitã após a presença de viaturas no prédio, mobilizadas depois de uma denúncia anônima registrada por morador no Disque 100.
O sargento Eduardo Abner foi preso em flagrante no Hospital Odilon Behrens, para onde levou a esposa já morta, segundo os médicos. Ele é o principal suspeito pela morte de Michele e argumenta que, depois de misturarem consumo de álcool e ecstasy, a mulher caiu em casa e sofreu um ferimento na cabeça. A versão não convenceu a polícia (que investiga o suposto feminicídio), nem o tio da vítima, Marlon Leão, que acabou se distanciando da sobrinha por reprovar comportamentos do sargento, ainda no início do namoro, há cerca de oito anos.
“Não me adaptei a ele. Meu filho tinha 15 anos e minha filha 12, e estava em tratamento de leucemia. Em uma reunião familiar em um restaurante, vi que ele estava próximo dos meus filhos e, quando cheguei, ele se afastou. Ele estava oferecendo cigarro eletrônico para duas crianças. Um policial militar lidando com um produto contrabandeado”, relembra.




