As declarações de Javier Milei durante evento do PL, no fim de semana, atacaram diretamente a democracia brasileira, afirmou a jornalista Daniela Lima, em participação no programa TMC 360, nesta segunda-feira (27/07). O argentino criticou a esquerda brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O que o presidente da Argentina está fazendo é dar cara e rosto a uma ofensiva que não é que tem Lula como o último alvo. O alvo é a democracia e a autonomia dos brasileiros para escolherem seu chefe de estado”, declarou a especialista.
Para Dani Lima, os métodos de Milei podem não funcionar no Brasil e soam como ataques às instituições brasileiras. “A apresentação circense que ele fez, a entrada (no evento) cantando rock pesado, apresentando a irmã e até seus cachorros mortos como uma espécie de conselheiros espirituais… Foi isso que deu certo por lá. Mas, quando ele vem para cá, exporta esse método fazendo ofensas ao processo eleitoral brasileiro, ao chefe do Executivo e também à Suprema Corte, porque aí quando tem um ataque a Alexandre de Moraes. Essa é a dificuldade de entender dos agentes da extrema direita. Você não está atacando um juiz, está atacando uma Corte.”
Leia mais: Milei acusa Lula de liderar campanha anti-Argentina após crise diplomática
Efeitos sobre Flávio Bolsonaro
Dani Lima lembrou que o contexto da convenção do PL, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República no sábado, também conta com uma visita de enviados dos Estados Unidos que foi barrada pelas autoridades brasileiras. De acordo com o jornal “The Washington Post”, eles viriam ao Brasil para contestar o sistema de votação das urnas eletrônicas.
“O pano de fundo dessa questão do Jair Milei é um pano de fundo onde agentes associados à extrema-direita nas Américas se movimentam para pressionar o cenário eleitoral no Brasil. Qual é o efeito prático que isso vai ter para Flávio Bolsonaro?”, questionou a jornalista.
“Não se sabe, porque a percepção é que os eleitores de centro, que estão faltando a Flávio Bolsonaro, não se mobilizam ou não se movimentam em torno de figuras como essas. O presidente da Argentina promoveu um ajuste duríssimo de contas às custas de parcelas muito expressivas da população que hoje experimentam um empobrecimento brutal numa Argentina ainda sofre muita pressão inflacionária”, resumiu.
Leia mais: Ministro da Fazenda chama Milei de “palhaço” e diz que economia brasileira está melhor que argentina




