O episódio envolvendo Javier Milei no evento de Flávio Bolsonaro chamou atenção pelos ataques a Alexandre de Moraes e ao presidente Lula.
Mas, para mim, o mais importante não foi o conteúdo das críticas. Foi a forma. A grosseria parece ter deixado de ser exceção para se tornar uma linguagem política.
Tenho a impressão de que a boa educação doméstica foi ficando pelo caminho. Aquela ideia de respeitar o outro, medir as palavras e compreender os limites de cada ambiente parece cada vez mais distante.
Basta olhar para as redes sociais, onde a ofensa virou argumento e a falta de respeito rende aplausos.
Milei não precisava transformar um evento no Brasil em palco para suas disputas ideológicas. Mas seria injusto fingir que esse comportamento pertence apenas a um lado.
Lula também já se envolveu em campanhas e lideranças estrangeiras movido pela mesma justificativa: afinidade política.
A verdade é que a ideologia passou a servir como autorização para abandonar qualquer etiqueta institucional.
O debate cede lugar ao espetáculo, e o adversário deixa de ser alguém com quem se discorda para se tornar um inimigo a ser atacado.
As redes sociais aceleraram esse processo. Premiam quem fala mais alto, quem provoca mais e quem gera mais indignação. No fim, os bons modos perderam espaço.
E a falta de educação, infelizmente, ganhou status de virtude política.