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Como uma viagem a Israel mudou o que a ciência sabia sobre alergia ao amendoim

A recomendação geral dos médicos antigamente era evitar o consumo dessa leguminosa em crianças para diminuir efeitos alérgicos

A medicina, assim como toda ciência, está em constantes mudanças e novas pesquisas estão sempre em busca de como aprimorar diagnósticos e tratamentos. Recentemente, foi comprovado que a alergia ao amendoim, muito comum nos Estados Unidos e Reino Unido, poderia ser reduzida se o alimento for introduzido desde a primeira infância.

Um estudo publicado em outubro deste ano na revista Pediatrics mostrou que as taxas de alergia ao amendoim entre crianças americanas de até 3 anos diminuíram 33% após dez anos da recomendação e caíram 43% após 2017.

De acordo com o líder do estudo, Dr. David Hill, especialista de Imunologia do Hospital Infantil da Filadélfia, observa que quase 40 mil crianças americanas com menos de 3 anos podem ter evitado diagnósticos de alergia a amendoim desde que as diretrizes para o consumo do alimento mudaram.

Os médicos perceberam que estavam enganados

Comer amendoim ainda bebê pode ajudar a evitar alergia — entenda por quê
Em Israel, que os bebês eram expostos a doces e alimentos com amendoim desde cedo — e não desenvolviam alergia (Foto: Unsplash)

As diretrizes sobre a ingestão de amendoim entre bebês e crianças nos EUA e Reino Unido eram bem diferentes há alguns anos. Doença que poderia afetar boa parte da população, a recomendação geral dos médicos era evitar o consumo dessa leguminosa em crianças visando diminuir efeitos alérgicos graves.

No entanto, o Dr. Gideon Lack, médico alergista e professor na King’s College, no Reino Unido, percebeu que os índices do quadro alérgico em crianças de outras regiões não eram expressivos da mesma forma que conhecia. Em entrevista à CNN, ele revelou que percebeu em uma visita a Tel Aviv, em Israel, que os bebês eram expostos a doces e alimentos com amendoim desde cedo — e não desenvolviam alergia.

Após a viagem, em 2000, passou os 15 anos seguintes buscando financiamento e pesquisando sobre a provável diminuição dos casos de alergia ao amendoim se ele fosse inserido na dieta de crianças de até 5 anos aos poucos.

Para isso, ele e um grupo de médicos distribuíram aleatoriamente 640 bebês com eczema grave, alergia a ovo ou ambas para consumir ou evitar amendoim até os 60 meses de idade. Os participantes, com idade entre 4 e 11 meses no momento da randomização, foram alocados em grupos de estudo distintos com base na sensibilidade preexistente da alergia.

Os resultados mostraram que das 530 crianças que não apresentavam sensibilidade ao amendoim inicialmente, 13,7% desenvolveram a alergia até os 5 anos de idade, caso evitassem o alimento. Já o grupo que consumiu a leguminosa desde antes de 1 ano de idade, 1,9% desenvolveram alergia.

Entre as demais crianças que já apresentavam sinais de sensibilidade, 35,3% das que evitaram o amendoim mostraram sinais da alergia, contra 10,6% daquelas que o consumiram.

Novas diretrizes para o consumo do amendoim

O estudo de 2015 Aprendendo Cedo sobre Alergia ao Amendoim motivou a elaboração de diretrizes multiorganizacionais que incentivam a introdução precoce do amendoim na dieta de crianças em risco, visando prevenir alergias alimentares mediadas por imunoglobulina E (IgE).

As recomendações de saúde pública foram ampliadas em 2017 e 2021. Os resultados mostraram uma queda de quase metade dos casos de alergia a amendoim em crianças americanas após 2017.

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