Nesta terça-feira (02/06), empresários e lideranças do setor de tecnologia se reuniram em São Paulo (SP) para o Conecta TMC, evento dedicado a debater o futuro dos negócios, da inovação e da segurança digital.
No painel de encerramento, o evento jogou os holofotes sobre a urgência da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) e da infraestrutura tecnológica. Sob o tema “Conectividade e Tecnologias Verdes”, os convidados discutiram como alinhar a expansão digital à sustentabilidade, em um debate que contou com a presença do Dr. Marcelo Scacabarozi, Head da Anatel, e de Erik Naoki Nakandakare, Diretor de Business & IA da Qualcomm.
Um dos pontos centrais da discussão foi a expansão da infraestrutura digital e seus impactos ambientais. O Dr. Marcelo Scacabarozi defendeu que o país precisa abraçar a evolução tecnológica de forma estratégica para impulsionar a economia. “Há uma certa resistência em relação aos data centers por conta do impacto ambiental, mas essa é uma tecnologia que não podemos ignorar. Segundo previsões, os data centers ainda vão gerar 3 trilhões de dólares em investimentos em todo o mundo. Não podemos perder o momento de desenvolver isso para a economia brasileira”, alertou o Head da Anatel.
Complementando a visão de futuro, Erik Naoki Nakandakare, da Qualcomm, destacou o Brasil como um território altamente competitivo para essa expansão justamente por sua matriz energética limpa.
“Praticamente 85% dos recursos de que precisamos para poder executar, construir e colocar em ação um data center no Brasil vêm de fontes renováveis”, destacou.
Nakandakare também chamou a atenção para o fato de que a Inteligência Artificial já ultrapassou as barreiras das telas corporativas e está transformando a infraestrutura das cidades de forma sustentável. “A gente tende a pensar na IA como um chat, mas essa tecnologia já está chegando dentro das nossas casas, no nosso dia a dia, e passa a operar de uma forma quase inconsciente. Ela tem sido muito usada para a gestão de tratamento de água, para melhorar o trânsito ou até transmissão da Copa do Mundo, por exemplo. São muitas utilidades”, explicou o diretor da Qualcomm.
O painel foi encerrado com uma provocação sobre o posicionamento do Brasil na cadeia global de tecnologia. “Sabemos que a China vai liderar a produção de chips, então precisamos entender como o Brasil pode gerar valor para esse mercado”, concluiu Nakandakare, reforçando a necessidade de o país focar em suas forças locais, como a energia verde, para atrair os bilhões de dólares que orbitam a economia digital.




