Advogada argentina acusada de racismo usa tornozeleira e não pode deixar o Rio de Janeiro

Agostina Páez reencontrou familiares após quase um mês do incidente em Ipanema que gerou acusação de injúria racial

Por Redação TMC | Atualizado em
Agostina Paez é investigada por racismo no Brasil. (Foto: repprodução/Instagram/Agostina Paez)

Agostina Páez, advogada argentina de 29 anos que responde por injúria racial no Brasil, reencontrou seu pai e sua irmã no Rio de Janeiro neste sábado (8). A profissional, que utiliza tornozeleira eletrônica e está impedida de deixar o estado, enfrenta um processo que pode resultar em pena de 2 a 5 anos de prisão.

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O encontro familiar aconteceu quase um mês após o início do caso que levou à acusação contra a argentina. A emissora TN, da Argentina, registrou o momento em que Agostina abraçou seus familiares, que vieram ao Brasil para apoiá-la durante o processo judicial.

A situação começou em 14 de janeiro, quando a advogada se envolveu em um incidente em um estabelecimento no bairro de Ipanema. Segundo as acusações, ela teria feito gestos considerados racistas direcionados a funcionários do local após uma discussão sobre a conta que deveria pagar.

A Justiça brasileira chegou a decretar prisão preventiva contra Páez na sexta-feira, quando ela ficou detida em uma delegacia na Rocinha. Posteriormente, a medida foi revogada, permitindo que a advogada respondesse em liberdade, porém com restrições de movimento.

Mariano Páez, pai da acusada, e a irmã da advogada planejam permanecer no Brasil entre 10 e 15 dias para acompanhá-la. “Estou muito feliz de encontrar com minha filha de novo”, declarou Mariano em entrevista.

A defesa da argentina avalia os próximos passos legais. Existe a possibilidade de que o processo continue na Argentina, mas isso só ocorreria após pelo menos 90 dias de permanência no Brasil, conforme explicou seu advogado, Sebastián Robles.

“É um processo muito longo, então é preciso esperar”, comentou Robles sobre a duração do procedimento judicial. Ainda não há informações sobre quando a advogada será chamada para prestar depoimento, embora exista a possibilidade de que isso ocorra nos próximos dias.

Agostina manifestou preocupação com sua exposição pública: “Não quero mostrar meu rosto em lugar nenhum. Os veículos da Argentina me ajudaram muito, mas não foi assim aqui no Brasil”. A advogada também criticou o uso de sua imagem em uma campanha antirracista pela polícia local, afirmando: “Não há uma objetividade (…) Estou muito exposta”.

Leia Mais: Detida no Rio após racismo, Agostina Páez desabafa: “Estou morrendo de medo”

Sobre as ameaças que afirma receber, Páez foi enfática: “Estou em perigo, recebo ameaças a todo momento”, e mencionou uma suposta “crueldade” das autoridades locais em seu caso, chegando a afirmar: “Querem me matar”.

Quando questionada sobre arrependimento pelo ocorrido no bar, a advogada respondeu: “Não menti em nenhum momento, e não está comprovado. O que contei foi o que aconteceu”. Não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo das ameaças que ela afirma estar recebendo.

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