Atos em 15 capitais pedem justiça por mortos na operação policial no Rio

Protestos no Rio, São Paulo, Brasília e Maranhão criticaram ação com 121 mortes e pediram investigação independente

Por Redação TMC | Atualizado em
Multidão participa de manifestação à noite segurando faixas e cartazes. Um dos principais cartazes diz “Não foi operação, foi chacina”, e outro, “A juventude quer viver! Parem de nos matar!”. Bandeiras coloridas são erguidas entre os manifestantes.
Em São Paulo, o protesto contra a repressão policial aconteceu em plena Avenida Paulista na noite de Halloween (Foto: Agência Brasil)

Manifestantes foram às ruas nesta sexta-feira (31/10) em 15 capitais do país para protestar contra a Operação Contenção, ação policial que deixou 121 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — o maior número de mortes em uma operação da história do Brasil.

No Rio, moradores e familiares de vítimas caminharam pelas ruas da Vila Cruzeiro, mesmo debaixo de chuva, em um ato marcado por cruzes, cartazes e homenagens. Entre os participantes estavam mães de jovens mortos em operações anteriores. “Queremos justiça e o fim dessa política de morte”, dizia uma das faixas no protesto.

Em São Paulo, o movimento negro organizou uma manifestação na Avenida Paulista, pedindo a federalização das investigações e a responsabilização do governador Cláudio Castro e dos policiais envolvidos. “Essa política genocida do Estado precisa acabar”, afirmou Douglas Belchior, da Coalizão Negra por Direitos e da Uneafro Brasil. O ato reuniu entidades como o Movimento Negro Unificado, a Marcha das Mulheres Negras e a Unegro.

Durante o protesto, Zezé Menezes, fundadora da Marcha das Mulheres Negras, comparou o número de mortos à guerra no Oriente Médio. “Mataram em um dia mais do que em Gaza. Lá é guerra declarada, aqui ela existe há anos, e é contra o povo preto e pobre”, disse.

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No Maranhão, manifestantes se reuniram na Praça Deodoro, em São Luís, com cartazes e bandeiras cobrando respostas do governo fluminense. “Essas operações matam quem é pobre e preto. Não dá pra normalizar isso”, disse Claudicéia Durans, professora do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

Em Brasília, o ato aconteceu perto da Esplanada dos Ministérios, com pedidos de investigação independente da operação. “O que ocorreu foi um brutal atentado contra a vida do povo preto e favelado”, afirmou Maria das Neves, do Conselho Nacional de Direitos Humanos, que pediu ao STF e ao Ministério dos Direitos Humanos a criação de uma perícia paralela.

Os protestos em diferentes regiões do país reforçam a pressão sobre o governo do Rio e as autoridades federais para esclarecer as circunstâncias da Operação Contenção, que, segundo organizações de direitos humanos, apresenta indícios de execuções e torturas.

Por Agência Brasil

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