Uma auditoria independente realizada no Banco de Brasília (BRB) identificou os empresários brasilienses Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Ávila como intermediários em operações financeiras envolvendo ações da instituição. O escritório Machado Meyer, responsável pela auditoria em parceria com a Kroll, apresentou as conclusões à 13ª Vara Cível de Brasília.
O documento integra processo judicial no qual o BRB solicita indenização por carteiras de crédito consideradas problemáticas ou inexistentes adquiridas do Banco Master. As informações foram publicadas pela jornalista Isadora Teixeira, do site Metrópoles.
A análise revelou movimentação financeira de aproximadamente R$ 265 milhões pelos dois empresários para subscrição de ações no ACP 1. Leonardo Ávila, proprietário da incorporadora Faenge, vendeu participações ao fundo Borneo em julho de 2024. Adalberto Valadão Júnior, dono da Soltec Engenharia e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), participou de operação com o fundo Verbier, da Victoria FIM, no mesmo período.
O escritório Machado Meyer, que representa o BRB judicialmente, apontou no documento enviado à Justiça “uso sistemático de estruturas pulverizadas, pessoas interpostas e ‘laranjas’ para dificultar a rastreabilidade perante os entes reguladores e fiscalizadores, tais como CVM e Bacen”, em referência ao Comissão de Valores Mobiliários e ao Banco Central.
O relatório detalhou: “A engenharia de triangulação envolveu: (a) pessoas físicas que atuaram como meros veículos de passagem, sem animus de investimento ou assunção de risco próprios, como Adalberto Valadão e Leonardo Augusto, que receberam juntos aproximadamente R$ 265 milhões para subscrever ações no ACP 1 e posteriormente aliená-las aos fundos Borneo e Verbier”; e (b) fundos administrados e geridos por entidades do grupo Reag e Master Corretora, como Borneo, Delta, Deneb, Asterope FIP, Celeno, entre outros.
O fundo Borneo, administrado pela Reag, tornou-se sócio do BRB após adquirir ações de Leonardo Ávila em julho de 2024. A transação envolveu R$ 130 milhões.
“Como resultado dessa operação, o Borneo adquiriu 2.275.000 recibos de subscrição de ações ordinárias (ON) e 13.109.615 recibos de subscrição de ações preferenciais (PN) pelo valor total de R$ 129.999.997,75”, afirma o escritório que faz a defesa do BRB.
Adalberto Valadão Júnior participou de contrato de compra e venda de recibos de subscrição com o fundo Verbier, também no valor de R$ 130 milhões, em julho de 2024. A operação permitiu que o fundo da Victoria FIM se tornasse sócio do BRB.
A auditoria identificou que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, intermediou a operação envolvendo Leonardo Ávila. Os três estiveram juntos no evento do Lide em Nova York, nos Estados Unidos, no Harvard Club.
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O processo judicial também pede o bloqueio de ações detidas por pessoas e fundos vinculados ao Master e à Reag. A operação envolveu diversos fundos administrados e geridos por entidades do grupo Reag e Master Corretora, incluindo Borneo, Delta, Deneb, Asterope FIP e Celeno.
O advogado Bernardo Fenelon, que representa Valadão Júnior, contestou as informações apresentadas. Em entrevista ao Metrópoles, ele declarou que “as informações apresentadas na referida petição não correspondem à realidade dos fatos, uma vez que não houve qualquer ganho financeiro por parte de Adalberto na operação em questão”.
“Ressalte-se, ainda, que os devidos esclarecimentos já foram prestados, há algumas semanas, diretamente à equipe responsável pela condução da auditoria interna no BRB”, pontuou.
Leonardo Ávila se manifestou em fevereiro de 2026, via assessoria de imprensa. Ele afirmou que a cessão do direito “foi gratuita e sem nenhum benefício pessoal”.
“Fora a cessão dos direitos de subscrição, reafirma-se que não há – nem nunca houve – relação comercial, profissional ou de serviços com o Banco Master ou a Reag”, declarou.




