Delegado da Polícia Federal brasileira recebe ordem de expulsão dos EUA

Marcelo Ivo de Carvalho atuava em cooperação com Serviço de Imigração americano e participou da detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem em Orlando

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Marcelo Ivo de Carvalho via LinkedIN
Foto: Marcelo Ivo de Carvalho via LinkedIN

O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho recebeu ordem de saída dos Estados Unidos. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano anunciou a medida nesta segunda-feira (20/04). Carvalho atuava em cooperação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).

A Embaixada do Brasil nos Estados Unidos confirmou a TV Globo que o funcionário mencionado pelo governo americano é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Ele participou da detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ocorrida no dia 13 de abril em Orlando, na Flórida.

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A administração americana publicou nota em rede social informando que uma autoridade brasileira tentou usar o sistema de imigração dos EUA de forma inadequada. O anúncio da expulsão ocorreu uma semana após a prisão e posterior liberação de Ramagem. O ex-deputado foi detido pelo ICE por questões migratórias e levado a um centro de detenção. Ele foi solto dois dias depois.

Acusação de manipulação de procedimentos

O governo americano acusou a autoridade brasileira de tentar manipular procedimentos formais de extradição. A administração dos Estados Unidos declarou: “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”.

A detenção de Ramagem resultou em liberação administrativa sem procedimento judicial ou pagamento de fiança. O ex-deputado havia deixado o Brasil em 2025, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal. O pedido de extradição foi encaminhado ao governo norte-americano em janeiro de 2026. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro de 2025.

Alexandre Ramagem publicou um vídeo após ser liberado da detenção. Na gravação, ele afirmou: “Eu venho agradecer ao governo norte americano, da mais alta cúpula da administração Trump”. Ramagem declarou que sua liberação foi administrativa, sem procedimento judicial ou pagamento de fiança.

O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol. A medida permite a detenção por autoridades estrangeiras. Aliados de Ramagem afirmam que ele pretendia pedir asilo político nos Estados Unidos.

Condenação e trajetória política

Alexandre Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro de 2025, após sua condenação criminal na trama golpista.

Ramagem foi eleito deputado federal em 2022 pelo PL-RJ com cerca de 59 mil votos. Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Ele terminou a eleição em segundo lugar.

Segundo investigações da Polícia Federal, Ramagem saiu do país de forma clandestina antes do fim do julgamento. Informações apontam que ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana. Depois, seguiu para os Estados Unidos.

Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005. Ganhou destaque ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha de 2018. Na gestão Bolsonaro, foi nomeado para chefiar a Agência Brasileira de Inteligência. Sua gestão é alvo de investigações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos, no caso conhecido como “Abin Paralela”.

Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal, mas a nomeação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) devido à proximidade pessoal de Ramagem com a família do presidente. Ramagem é acusado de integrar o núcleo central da trama golpista, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

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