Homicídios caem no Brasil, mas estimativa com mortes ocultas muda o cenário

Número oficial aponta 42.590 assassinatos em 2024, queda de 7,4% ante 2023, mas pesquisadores estimam quase 50 mil mortes ao incluir casos ocultos

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(FOTO: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Brasil encerrou 2024 com 42.590 homicídios registrados oficialmente. O número é o menor em 11 anos e representa queda de 7,4% frente aos 45.747 casos contabilizados em 2023.

A taxa nacional chegou a 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes. Desde 2014, o índice acumula recuo de 33,4%, e o total absoluto de mortes caiu 29,6% no mesmo período.

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O que explica a queda

Pesquisadores apontam ao menos três fatores para o recuo. O primeiro são mudanças nas políticas de segurança estaduais e municipais, cada vez mais baseadas em diagnósticos locais de criminalidade. O segundo são alterações nas dinâmicas do crime organizado, com acordos entre facções em certas regiões. O terceiro é o envelhecimento da população brasileira: jovens concentram o perfil de vítimas, e há menos pessoas nessa faixa etária em proporção ao total.

Entre 2019 e 2024, a taxa de homicídios recuou 8,6% e o número de vítimas caiu 6,4%.

O alerta dos homicídios ocultos

Os dados oficiais, porém, escondem uma ressalva importante. O crescimento das mortes violentas com causa indeterminada pode estar mascarando assassinatos que não entram nas estatísticas formais.

Ao incorporar esses casos, pesquisadores estimam 49.673 homicídios em 2024. Com esse cálculo, a queda em relação a 2023 encolhe para apenas 0,4%.

As mortes classificadas como ocultas passaram a representar 14,3% do total estimado no ano. Em 2023, essa fatia era de 7,6%. A diferença entre a taxa estimada (23,4 mortes por 100 mil) e a taxa oficial chegou a 3,3 pontos percentuais em 2024 — acima da média de 2,8 pontos registrada entre 2019 e 2024.

Estados com maiores taxas

Dezoito unidades da federação ficaram acima da média nacional em 2024. O Amapá liderou o ranking, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

Apenas Maranhão e Ceará apresentaram crescimento relevante na comparação com 2023. O Maranhão registrou alta de 7,6% na taxa; o Ceará, de 5,2%. O São Paulo permaneceu estável no período.

As maiores quedas entre 2023 e 2024 foram do próprio Amapá (-30%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).

Evolução desde 2014

Olhando para a última década, o Distrito Federal acumulou a maior redução: -66,2% na taxa entre 2014 e 2024. Goiás (-58,4%), Sergipe (-54,6%), São Paulo (-53,2%) e Rio Grande do Norte (-51,6%) completam o grupo com maiores avanços.

Na direção oposta, o Amapá foi a única unidade com piora expressiva no período: alta de 30,2% na taxa e de 41,8% no número absoluto de mortes. Pernambuco terminou 2024 com taxa ligeiramente acima da de 2014, variação de +1,1%.

Pela taxa estimada, que inclui os casos ocultos, o Amapá aparece com 47,1 mortes por 100 mil, seguido por Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6). Nesse recorte, 16 estados ficaram acima da média nacional estimada de 23,4.

Concentração geográfica

O levantamento analisou 5.570 municípios com dados válidos em 2024. Desse total, 1.578 cidades não tiveram nenhum homicídio estimado no período.

A concentração, porém, é extrema no outro extremo: metade de todos os assassinatos do país ocorreu em apenas 99 municípios — menos de 2% das cidades brasileiras. A mediana municipal ficou em 15,3 homicídios por 100 mil habitantes, abaixo da média de 20.

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