Brasil ultrapassa EUA em ranking de liberdade de imprensa pela primeira vez

Repórteres Sem Fronteiras coloca país na 52ª posição entre 180 nações, enquanto norte-americanos caem para 64º lugar

Por Redação TMC | Atualizado em
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(Crédito: Denissa Devy/ Unsplash)

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou nesta quinta-feira (30/04) o ranking global de liberdade de imprensa. O Brasil alcançou a 52ª posição entre 180 países avaliados. Os Estados Unidos ficaram na 64ª colocação. Esta é a primeira vez que o país sul-americano supera os norte-americanos no levantamento. A RSF utiliza indicadores econômicos, legislativos, de segurança, políticos e sociais para elaborar a classificação.

O Brasil subiu cinco posições em relação ao levantamento anterior. Os Estados Unidos caíram pelo quarto ano consecutivo. A RSF apontou que o mundo atingiu o patamar mais baixo de liberdade de imprensa em um quarto de século.

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Desde 2022, o Brasil acumula ascensão de 58 posições no ranking. No ano passado, ocupava a 63ª colocação. O pior desempenho brasileiro ocorreu em 2021. Naquele ano, ficou na 111ª posição e ingressou na zona vermelha do ranking, classificada como “situação difícil”.

Queda contínua dos Estados Unidos

Os Estados Unidos ocupavam a 42ª colocação em 2022. A situação era relativamente boa. Em 2025, o país estava na 57ª posição, já em “situação sensível”. A queda para a 64ª posição marca uma deterioração contínua.

A RSF atribuiu a queda norte-americana a dificuldades econômicas enfrentadas por jornalistas. A organização também citou uma crise de confiança do público. A situação foi agravada pelo uso da estrutura governamental pela administração de Donald Trump contra jornalistas e veículos de comunicação.

“Desde seu retorno ao poder, os jornalistas também passaram a ser alvo durante manifestações, o que reflete uma deterioração mais ampla que constitui uma das crises mais graves para a liberdade de imprensa na história moderna dos Estados Unidos”, afirma o relatório da RSF.

A organização declarou: “Os Estados Unidos de Donald Trump estão saindo completamente do controle.”

Cenário global de deterioração

Apenas 1% da população mundial vive atualmente em nações com liberdade de imprensa favorável. Em 2002, esse percentual era de 20%.

Somente sete países receberam a classificação de “boa situação” de liberdade de imprensa. O número é o mesmo do ano anterior. A Noruega manteve a primeira posição. Países Baixos, Estônia, Dinamarca e Suécia completam as cinco primeiras colocações.

Mais da metade dos países avaliados apresenta liberdade de imprensa em situação difícil ou muito grave.

Violência na América Latina

O avanço brasileiro contrasta com a tendência observada em diversos países da América Latina. A RSF identificou um processo de violência e repressão contra profissionais de imprensa na região.

“Apesar de algumas recuperações nos últimos anos, como a do Brasil, a história recente da liberdade de imprensa no continente em geral é marcada por duas tendências: o aumento da violência cometida por agentes do crime organizado e a violência proveniente de forças políticas”, afirma o relatório da RSF sobre a América Latina.

A organização afirmou que a região está “em uma espiral de violência e repressão”. A América Latina despencou no ranking por causa da violência contra profissionais de imprensa. O crime organizado é o principal responsável, mesmo sem a região estar em guerra.

Guerras pioraram a situação em países em conflito. Israel e Sudão registraram deterioração devido à morte de jornalistas. Israel ocupa a 116ª posição. O Sudão está na 161ª colocação.

Segundo a RSF, “o próprio jornalismo está morrendo, sufocado pela retórica política hostil aos repórteres, enfraquecido por uma economia midiática em dificuldades e pressionado pela instrumentalização de leis contra a imprensa”.

A organização atribuiu parte da deterioração global a mudanças nas políticas de segurança nacional. Essas mudanças dificultaram coberturas de interesse público. O direito à informação foi corroído.

Países autoritários ocupam as piores posições do ranking. A Eritreia recebeu novamente a pior pontuação. Coreia do Norte, China, Irã e Arábia Saudita completam as cinco últimas colocações. A situação nesses países é classificada como “muito grave”.

Entre os 20 melhores países para liberdade de imprensa estão Noruega, Países Baixos, Estônia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Irlanda, Suíça, Luxemburgo, Portugal, Tchéquia, Islândia, Liechtenstein, Alemanha, Lituânia, Bélgica, Letônia, Reino Unido, Áustria e Canadá.

Entre os 20 piores países estão Eritreia (180º), Coreia do Norte (179º), China (178º), Irã (177º), Arábia Saudita (176º), Afeganistão (175º), Vietnã (174º), Turcomenistão (173º), Rússia (172º), Azerbaijão (171º), Bahrein (170º), Egito (169º), Nicarágua (168º), Djibuti (167º), Birmânia (166º), Belarus (165º), Iêmen (164º), Turquia (163º), Iraque (162º) e Sudão (161º).

Outras posições relevantes incluem França (25º), Uruguai (48º), Itália (56º), Japão (62º), Chile (70º), Paraguai (88º), Argentina (98º), Venezuela (159º) e Cuba (160º).

O Brasil permanece classificado como em situação sensível. A posição é melhor do que quando estava na zona vermelha do ranking.

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