Brumadinho, crise Yanomami e Juiz de Fora: como funciona o resgate animal em crises ambientais?

Em entrevista à TMC, Carla Sassi, presidente do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD) ,contou a história do grupo e sua atuação em desastres

Por Redação TMC | Atualizado em
Desde 2011, o GRAD atua no resgate animal em crises ambientais de todo o Brasil
(Foto: Reprodução/TMC)

Quando se trata de crises ambientais, muitas vezes as pessoas centram nas pessoas. Contudo, existe também a necessidade de resgatar animais de todos os times; desde cães a bois. Neste contexto, Carla Sassi fundou o Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD), em 2011. Em entrevista ao programa Link TMC, a médica veterinária contou a origem do grupo e sua atuação.

Iniciei nesse trabalho de desastres em 2011, na região serrana do Rio de Janeiro, talvez o maior desastre do Brasil com vítimas humanas. Desde então, busquei mais capacitações, cursos e aí nasceu o GRAD: Grupo de Resposta a Animais em Desastres. O grupo vem crescendo e já somos mais de 100 membros em todas as regiões do país“, relembrou Carla Sassi.

“Em um primeiro momento, fui só coração. Lá, na região serrana em 2011, vi a necessidade de me aprofundar em técnicas, em estudar esses cenários. Fiz cursos e mestrado na área de Defesa Civil. Já são anos atuando nesse cenário; milhares de famílias e animais assistidos por esse grupo maravilhoso que atua em todo o Brasil“, contou.

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Desde 2011, a atuação e o tamanho do grupo aumentou: “Hoje temos um processo seletivo para novos membros todos os anos. Já são mais de 100 missões nesses 15 anos de atuação.

O GRAD atua em todas as crises humanitárias que ocorreram no Brasil desde então. Barragem de Brumadinho, enchentes no Rio Grande do Sul e desastre de Juiz de Fora são alguns deles. Para Carla Sassi, a mais marcante foi a crise Yanomami, de 2023, mas não por um bom motivo.

A missão mais desafiadora de todas foi no território Yanomami, em janeiro de 2023, que foi quando estourou a crise humanitária. Foi de um aprendizado gigantesco os dias que passei no território Yanomami cuidando dos animais. Também foi a pior missão até hoje, porque foi a única missão, nesses 15 anos, que não conseguimos finalizar. Quando fomos fazer a troca de equipe, o governo optou por primeiro focar nas pessoas e depois nos animais. Até hoje não conseguimos retomar esse trabalho. Lá tem muito problema de bicho de pé; montamos um projeto para atuar nesse cenário e melhorar as saúdes das crianças e dos animais e até hoje não conseguimos autorização para voltar e atuar“, destacou.

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Depois do resgate, o GRAD cuida dos animais e trabalha para encontrar destinos para eles. Todos por doação.

Todos os animais que a nossa equipe resgata, ficam sob nossa responsabilidade até o destino final. Por exemplo, os três bois que foram salvos de helicóptero em Brumadinho ainda estão vivos, sob responsabilidade da empresa; ainda temos vários animais – cães e gatos – do Rio Grande do Sul que esperam adoção. Mesmo quando as equipes se desmobilizam e mídia para de cobrir, nosso trabalho continua. Em Juiz de Fora, estamos com abrigo provisório e já foram mais de 200 resgates“, comentou Carla Sassi.

Para celebrar a Semana da Mulher, a TMC tem feito uma série de entrevistas especiais em sua programação para enaltecer as mulheres do Brasil e do mundo.

Confira a íntegra do Link TMC desta quinta-feira (05/03)

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