Solto, homem que atirou em cinema em 1999 frequenta shopping em Salvador e assusta lojistas

Liberado pela Justiça da Bahia em 2024, Mateus da Costa Meira mora sozinho em quitinete, contrariando determinação judicial, e frequenta o Shopping Barra regularmente

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Solto, homem que atirou em cinema em 1999 frequenta shopping em Salvador e assusta lojistas
Reprodução redes sociais

Mateus da Costa Meira, responsável pelo ataque a tiros que deixou três mortos e nove feridos durante uma sessão de cinema no Morumbi Shopping, em São Paulo, no ano de 1999, está em liberdade desde 2024 e tem presença frequente no Shopping Barra, em Salvador. O empreendimento conta com 315 lojas, um complexo de oito salas de cinema e um fluxo diário de aproximadamente 50 mil pessoas. As informações são da coluna do Ulisses Campbell do jornal O Globo.

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O médico Marco Antônio Damasceno, ex-colega de infância de Mateus, de 50 anos, também o encontrou no local.

“Também já vi o Mateus várias vezes na bilheteria do cinema. Está acima do peso e me parece bem sombrio. Me cumprimentou normalmente. Fiquei com medo porque ele carregava uma mochila”, disse.

Liberação com condições descumpridas

A Justiça da Bahia soltou Mateus em 2024 com condições: ele deveria morar com os pais e manter tratamento psiquiátrico. Mas, segundo apuração, ele vive sozinho em uma quitinete em Salvador, contrariando diretamente a determinação judicial.

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Seus pais, o oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira, 87 anos, e a enfermeira Alina da Costa Meira, 84 anos, prestaram depoimento à Justiça relatando que Mateus chegou a agredi-los fisicamente, tendo fraturado três costelas do pai em uma briga.

O massacre de 1999 e o julgamento

Em 2003, o Tribunal do Júri de São Paulo reconheceu sua plena responsabilidade penal e o condenou a 120 anos de reclusão. Antes disso, em 1999, uma equipe pericial formada pelos psiquiatras Sérgio Paulo Rigonatti, Antônio Carlos Justino Cabral e Moacyr Alexandro Rosa, e pela psicóloga Maria Adelaide de Freitas Caires, havia concluído que Mateus era imputável, isto é, capaz de compreender a natureza de seus atos e por eles responder.

Após sua transferência para a Bahia, foi instaurado novo incidente de insanidade mental. O juiz Moacyr Pitta Lima Filho proferiu absolvição imprópria e fixou internação por prazo indeterminado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia. Laudos elaborados ao longo do período de internação indicaram ausência de arrependimento genuíno e de empatia em relação às vítimas.

Em declaração registrada nos autos, o próprio Mateus descreveu seus sentimentos sem rodeios: “Eu me arrependo, mas é aquele arrependimento egoísta porque, é claro, a pessoa vai pensar primeiro em si mesma. Eu me arrependo primeiro em relação a mim, depois em relação aos meus pais, porque não pensei neles quando fiz isso. Por fim, nos familiares das vítimas. Eu me arrependo do que fiz, mas quem está sentindo isso sou eu e minha família. Quer dizer, penso primeiro em mim porque quem está preso aqui, sofrendo, sou eu”

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Lista de alvos e medo entre profissionais

Mateus havia compilado uma lista de alvos que pretendia eliminar, na qual figuravam ex-defensores, integrantes do júri, profissionais da imprensa, companheiros de cela, servidores do sistema penitenciário, além de médicos e psicólogos que atuaram em seu processo.

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