A prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra deve ser mantida até o julgamento, na avaliação do especialista em segurança pública Jorge Lordello. Em entrevista ao programa Sobremesa, da TMC, ele afirmou que a gravidade das acusações e o fato de a ré responder ao processo ao lado de integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) tornam improvável a concessão de liberdade ou de prisão domiciliar.
Lordello comentou as manifestações públicas de familiares de Deolane, que classificam a prisão como injusta e defendem sua soltura. Segundo ele, a defesa enfatiza supostas violações de direitos, mas deixa de destacar que a influenciadora é ré em uma ação penal que também inclui Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho, sobrinhos do líder da facção e o operador financeiro Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado nas investigações como responsável por movimentações financeiras do grupo.
Para o especialista, o fato de o processo envolver nomes considerados centrais na organização criminosa aumenta o peso da acusação. “Ela está no inquérito com a cúpula do PCC. O crime é muito grave”, afirmou.
Durante a entrevista, Lordello exibiu parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo e destacou que o documento possui 356 páginas, número que classificou como incomum em sua experiência de mais de quatro décadas na área jurídica.
“Foi a primeira denúncia de 356 páginas que vi na minha vida”, disse. Segundo ele, o material reúne uma narrativa detalhada dos fatos e apresenta provas produzidas durante a investigação. A denúncia é assinada pelo promotor Lincoln Gakiya e outros seis integrantes do Ministério Público, responsáveis por atuar em investigações relacionadas ao PCC.
Na avaliação de Lordello, caso Deolane seja condenada, permanecerá presa; se for absolvida, será colocada em liberdade.
O caso
Deolane Bezerra foi presa preventivamente em maio de 2026 durante a Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. As investigações apontam que ela teria exercido papel relevante em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, por meio da movimentação de recursos considerados incompatíveis com suas atividades declaradas e da utilização de empresas apontadas como de fachada.
Segundo a investigação, aproximadamente R$ 140 milhões passaram pelas contas da influenciadora em um período de dois anos, sem comprovação documental suficiente para justificar a origem dos valores. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 27 milhões atribuídos a ela.
A defesa nega as acusações e sustenta que Deolane é inocente, afirmando que a prisão preventiva se baseia em “ilações e narrativas”. Os pedidos de liberdade apresentados até o momento foram rejeitados pela Justiça, e a influenciadora permanece presa em uma penitenciária no interior de São Paulo.




