Luiz Felipe Pondé
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Filósofo e autor de renome, Pondé provoca reflexões profundas sobre o comportamento humano, ética e sociedade. Em sua coluna "Sem Dó", ele disseca as contradições do mundo contemporâneo com sua ironia característica.

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Caso Master, Toffoli e o risco do Brasil ver tudo “terminar em pizza” mais uma vez

Parece que, mais uma vez, nós vamos assistir a uma grande pizza acontecendo no Brasil. A impressão que se tem, diante desse caso Master, é que ele possui tentáculos em toda parte. Se alguém puxasse o fio de fato, ruiria metade da República. O que vejo agora, com a retirada do Toffoli da relatoria, é […]

Por Luiz Felipe Pondé | Atualizado em
Esta é um close-up do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antonio Dias Toffoli, em um ambiente formal, provavelmente durante uma sessão plenária ou julgamento.
(Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Parece que, mais uma vez, nós vamos assistir a uma grande pizza acontecendo no Brasil. A impressão que se tem, diante desse caso Master, é que ele possui tentáculos em toda parte. Se alguém puxasse o fio de fato, ruiria metade da República. O que vejo agora, com a retirada do Toffoli da relatoria, é a preparação de um processo de acomodação para que danos maiores não sejam causados à imagem do STF, que já está um pouco atrapalhada.

Essa é a nossa conhecida “operação abafa”. O caso se concentrou em um ponto, acalmaram-se as referências à esposa do Alexandre de Moraes e, assim, começa-se a assar a pizza. Isso acontece porque todo mundo tem um rabo preso e todo mundo tem medo de todo mundo. O melhor para eles é que ninguém muito grande dance de um jeito muito radical. No governo brasileiro, seja qual for o partido, ou vira pizza ou entrega-se um bode expiatório ao sacrifício. Eu já sinto cheiro de escarola e aliche.

É um teatro. Juízes usam roupas marcantes, a toga, e falam uma língua muito sofisticada para que a gente não perceba que eles são gente igual a todo mundo e que andam pisando no tomate.

Mas o circo não é só aqui; é também internacional. A ONU indicou o Irã para a vice-presidência de uma comissão de desenvolvimento social e direitos humanos. É ridículo. Uma contradição em termos ver “Irã” e “defesa das minorias” na mesma frase, sendo um país que massacra a população a gosto.

A ONU é um órgão geopolítico regido por interesses pragmáticos. O circo funciona entre os poderosos e entre os menos poderosos, porque a geopolítica continua sendo um circo.

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