Dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de Dom Pedro II e chefe da Casa Imperial do Brasil, declarou que não autoriza o casamento de seu filho, Dom Rafael, com a aristocrata italiana Margherita delle Piane, e ameaçou tirá-lo da “sucessão ao trono” caso o matrimônio se concretize. O Brasil não tem linha sucessória imperial nem títulos válidos de nobreza real desde 15 de novembro de 1889, com a abolição da Monarquia e a Proclamação da República.
Dom Rafael confirmou o noivado com Margherita em entrevista à revista francesa “Point de Vue”. A cerimônia está prevista para 28 de novembro, em Florença, na Itália. Dom Bertrand rejeitou o casamento em comunicado lido durante o 36º Encontro Monárquico Nacional, realizado no último final de semana em São Paulo.
Leia mais: OAB pede ao STF que Flávio Bolsonaro possa visitar o pai
Na visão da Casa Imperial do ramo de Vassouras, o casamento não teria caráter dinástico, pois só aceita uniões entre integrantes de famílias reais ou de casas reinantes. Se Dom Rafael se casar com a aristocrata sem origem monárquica, os direitos sucessórios passariam para Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança, irmã de Dom Rafael.
“Mesmo sem a formalização documental prévia, a realização de um casamento não dinástico seu significará a renúncia efetiva aos seus direitos dinásticos, os quais passarão imediatamente para sua irmã, Dona Maria Gabriela, e depois dela para os seguintes na ordem de sucessão. Como consequência, haver-lhe-ei de proclamar Dona Maria Gabriela como Princesa Imperial do Brasil”, diz o comunicado de Dom Bertrand.
A Princesa Isabel, bisavó de Dom Bertrand, determinou a exigência de casamentos dinásticos em 1908 em reação à decisão do filho mais velho, Dom Pedro de Alcântara, de se casar com a Condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, provocando a divisão da família imperial entre o ramo de Petrópolis e o ramo de Vassouras, cisão que persiste até hoje.




