Operador de fraudes no INSS confessa crimes e assina delação premiada

Maurício Camisotti está detido desde setembro de 2025 e aguarda homologação do acordo

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

O empresário Maurício Camisotti fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e reconheceu a existência de fraudes em descontos de aposentadorias do INSS. O empresário está detido desde setembro de 2025 sob suspeita de ser um dos principais operadores do esquema fraudulento. A defesa encaminhou o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para homologação.

Camisotti foi alvo da Operação Sem Desconto, na mesma fase que prendeu Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As informações são dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

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Saques em dinheiro

O INSS transferiu quase R$ 400 milhões à Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec) entre 2023 e 2025. Empresas ligadas a Camisotti receberam transferências dessa entidade, uma das principais investigadas no caso.

Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo de sua conta em 11 operações. Entre 2018 e 2025, foram realizados 17 saques. O maior deles foi de R$ 3 milhões, segundo relatório elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito do Congresso que analisa as fraudes no INSS.

Outros R$ 285 mil foram retirados de sua conta. O relatório aponta Camisotti como titular da conta, mas não afirma com clareza quem foi o sacador. Essas transações levantaram suspeitas de burla na fiscalização do sistema financeiro.

Próximos passos

As negociações do acordo começaram no fim de 2025. Nesta semana, a defesa enviou o material ao gabinete do ministro André Mendonça. Há expectativa de que o relator conceda prisão domiciliar a Camisotti.

O acordo deverá passar pela Procuradoria-Geral da República. A negociação foi feita apenas com a Polícia Federal. Esta é a primeira delação da investigação. Para firmar um acordo de delação premiada, é necessário confessar crimes e apresentar provas da narrativa às autoridades.

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões ganhou notoriedade em abril de 2025 durante a primeira operação da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União. Os segurados do INSS foram impactados pelos descontos realizados sem autorização.

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