Cubanos assumiram a liderança entre os solicitantes de refúgio no Brasil em 2025, com 41.919 pedidos, o equivalente a 55,4% de todas as solicitações registradas no período. Os dados constam do estudo Refúgio em Números 2026, divulgado pelo Ministério da Justiça em parceria com o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) na segunda-feira (22/06), em evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, celebrado no sábado (20/06).
Ao todo, o Brasil recebeu 75.599 pedidos de refúgio em 2025, alta de 10,9% frente a 2024. O crescimento nas solicitações de cubanos foi ainda mais acentuado: 88,1% a mais do que no ano anterior.
Quem mais pediu refúgio
Venezuelanos ficaram na segunda posição, com 21.233 solicitações. Na sequência aparecem colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganenses (792).
O perfil dos solicitantes mostra maioria masculina: 55,9% são homens, contra 44% de mulheres, segundo o Ministério da Justiça. A faixa etária mais comum vai de 25 a 40 anos, com 26.911 pessoas nesse intervalo.
Entre os cubanos, o padrão é diferente. Segundo o OBMigra, 67,8% dos solicitantes dessa nacionalidade têm mais de 60 anos, dado que chama atenção pelo contraste com o perfil geral.
Norte concentra decisões
A região Norte do país respondeu por 52,4% das solicitações decididas pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Só Roraima concentrou 32% do total, com 16.166 casos. O Amapá ficou com 12,6% (6.372 decisões) e o Amazonas com 4,8% (2.445).
Do total de pedidos atendidos pelo Conare, 94,7% foram reconhecidos por violação generalizada de direitos humanos, a principal categoria legal para concessão de refúgio no Brasil.
Contexto de retomada
O levantamento cobre o período de 2010 a 2025. Segundo o estudo, “O volume de solicitações verificado para o ano de 2025 deve ser compreendido no contexto de retomada de fluxos em direção ao Brasil já verificado anteriormente para os anos de 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após um período de maiores restrições à mobilidade humana internacional em decorrência das ações impostas em virtude da pandemia de Covid-19”.
O pico histórico da série ocorreu em 2018 e 2019, impulsionado pelo fluxo venezuelano.
No caso cubano, o cenário econômico da ilha pesa diretamente sobre o fluxo. Desde janeiro de 2026, o governo Donald Trump mantém bloqueio ao petróleo destinado a Cuba. O Parlamento cubano também aprovou recentemente um pacote de reformas econômicas, segundo o estudo.
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