Delegado diz que mãe sabia das agressões a Henry Borel

Henrique Damasceno, primeiro investigador do caso, depôs no segundo dia do júri e descreveu como Monique e Jairinho combinaram versões para ocultar as agressões

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O delegado Henrique Damasceno, primeiro investigador do caso Henry Borel, afirmou no tribunal do júri que a mãe da criança tinha plena ciência das agressões praticadas pelo companheiro. Segundo ele, Monique Medeiros sabia que o filho apanhava de Jairinho. O depoimento ocorreu nesta terça-feira (25/05), no segundo dia do julgamento.

Damasceno descreveu como o casal alinhou as narrativas antes de prestar depoimento à polícia. Conforme o delegado, as versões eram coerentes entre si, mas a investigação revelou que ambos ocultavam o que realmente acontecia com a criança. Ele classificou o comportamento como uma farsa ensaiada.

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Um dos pontos centrais do depoimento foi uma videochamada feita por Henry ao pai. Na ligação, a criança disse que o tio havia batido nela — referindo-se a Jairinho. O delegado relatou ainda que a investigação identificou três episódios de agressão que antecederam a morte do menino, ocorrida quando ele tinha 4 anos.

O casal passou a morar junto no final de 2020. Segundo Damasceno, o caso foi tratado inicialmente como acidente doméstico. A perícia no apartamento só foi realizada em 8 de março, após o local ter sido alterado pela empregada doméstica.

A noite da morte

De acordo com a investigação, Monique tirou uma foto de Henry sorrindo por volta das 20h e enviou ao pai da criança. Às 21h, ela o colocou para dormir. Entre esse horário e 1h50 da madrugada, o menino despertou ao menos três vezes. Ao verificá-lo novamente, Monique o encontrou sem consciência e com o corpo frio ao lado da cama. O casal então o levou ao hospital.

No hospital, Jairinho entrou em contato com um executivo da rede hospitalar. A tentativa, segundo o delegado, era liberar o corpo sem o encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML).

Laudos contradizem versão de acidente

Os laudos periciais identificaram lesões graves nos rins, na cabeça e equimoses distribuídas pelo corpo de Henry. Uma reprodução simulada concluiu que os ferimentos não eram compatíveis com uma queda da cama ou qualquer acidente doméstico. Para os investigadores, Henry foi vítima de homicídio.

Damasceno também relatou que familiares foram orientados antes de depor. Segundo ele, até a mãe de Monique recebeu esse tipo de instrução. O delegado disse que esse detalhe chamou sua atenção por ter anos de experiência e saber que a morte de uma criança costuma levar famílias a buscar a verdade, não a ensaiar depoimentos.

As defesas de Monique e Jairinho negam que o menino tenha sofrido agressões que resultaram em sua morte. Para a próxima sessão, na terça-feira (26/05), estão previstos os depoimentos de peritos e médicos-legistas.

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